Há meses venho apontando quatro deficiências da candidatura de João Rodrigues: falta de identidade, de discurso, de estratégia e de viabilidade eleitoral. Agora acrescento uma quinta: falta palanque presidencial capaz de impulsioná-lo.
Não basta se apresentar como conservador. É preciso convencer o eleitor de que existe uma razão para trocar Jorginho Mello por João. Até aqui, os números mostram que essa resposta não chegou.
Merísio encosta
Na Quaest de 24 de setembro, João caiu de 17% para 13%, enquanto Gelson Merísio passou de 4% para 10%. A distância despencou de 13 para três pontos.
É o movimento que temos registrado: Merísio pode reunir o eleitorado de esquerda e disputar a segunda posição. Não significa provocar segundo turno. Significa tirar de João até a condição de principal adversário do governador.
O efeito imagem
A passagem de Lula deixou evidente quem é seu candidato em Santa Catarina. É o efeito imagem. É a fotografia.
As declarações desastradas do presidente podem dificultar a aproximação de Merísio com o centro, mas a identificação com Lula ajuda a organizar o voto de esquerda. Os percentuais não demonstram, sozinhos, de onde veio cada voto. Politicamente, porém, Merísio ganhou uma referência que João continua sem conseguir estabelecer.
O palanque encolheu
Ronaldo Caiado aparece com 3% entre os catarinenses na mesma rodada da Quaest. Flávio Bolsonaro chegou a 50%, contra 45% em agosto. A distância é de 47 pontos.
Esse é o tamanho do problema. Caiado oferece a João uma candidatura presidencial formal, mas pouca força eleitoral no estado. Enquanto Jorginho tem um presidenciável competitivo ao lado, João carrega um aliado que também luta para ganhar tração.
O recado de Criciúma
A manifestação de Vaguinho Espíndola em favor de Flávio expõe o dilema do PSD. Uma liderança importante do partido procura no candidato do PL a força que Caiado não oferece.
A menção a Júlio Garcia e Clésio Salvaro reforça a dimensão regional do movimento, embora não permita presumir um acordo entre eles. O recado político é suficiente: a fidelidade à candidatura presidencial do PSD está sob pressão dentro do próprio partido.
A saída estreita
João já declarou que apoiará Flávio em eventual segundo turno contra Lula, mantendo Caiado no primeiro. Mas nem uma adesão imediata ao candidato do PL resolveria automaticamente sua dificuldade.
O eleitor bolsonarista já encontra em Jorginho uma ligação consolidada. Trocar a declaração de apoio na reta final não transfere esse eleitorado por decreto. João pode mudar o discurso presidencial. O problema da candidatura estadual permanece.
Jorginho ocupou
A associação de Jorginho com Jair Bolsonaro vem de 2022. Agora, Flávio divide seu palanque, Carlos disputa o Senado pelo PL e Jair Renan concorre à Câmara.
João teria de convencer esse mesmo eleitor a abandonar seu principal aliado estadual(Jorginho), por conta do apoio que ele passaria a dar ao presidenciável do PL, partido presido em SC pelo próprio governador. Uma operação impraticável, ainda mais quando Jorginho aparece com larga vantagem.
Sem eira nem beira
Politicamente, João corre o risco de ficar sem eira nem beira: perde espaço para Merísio e não consegue retirar de Jorginho o domínio do campo bolsonarista.
A queda de quatro pontos na Quaest é um sinal de alerta. Corre o sério risco de terminar com um dígito, embora isso seja uma projeção, não uma conclusão do levantamento estatístico. O que está demonstrado é o recuo. A reação ainda precisa aparecer.
Batendo o pino
É nesse contexto que as candidaturas proporcionais começam a bater o pino. O cabeça de chapa não entrega a força esperada, e os aliados procuram outro caminho para impulsionar suas próprias campanhas.
A aproximação com Flávio pode ajudá-los. Para João, o benefício é bem menos evidente. Seus companheiros encontram um palanque para seguir adiante. Ele continua procurando uma razão capaz de fazer sua candidatura sair do lugar.
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