Bateu o hiperdesespero no PT. A derrota no primeiro turno desmontou a expectativa de uma vitória antecipada e obrigou Lula a correr atrás de Flávio Bolsonaro. O presidente, que pretendia liquidar a disputa, terminou a primeira rodada atrás do adversário. Agora, multiplica anúncios, procura apoios e tenta recuperar a iniciativa. A tranquilidade deu lugar à aflição.

 

O respiro da Paulista

A manifestação na Avenida Paulista ofereceu um respiro. Houve público expressivo, mobilização e uma imagem positiva para a campanha petista. Isso precisa ser reconhecido.

Mas o entusiasmo da militância não resolve a resistência de quem está fora dela. Lula precisa conquistar eleitores, não apenas receber aplausos dos convencidos. Avenida cheia anima campanha. Não garante maioria na urna.

 

A dianteira permanece

As pesquisas divulgadas na terça-feira mantiveram Flávio numericamente à frente. O BTG/Nexus apontou 52% a 48% nos votos válidos; o PoderData, 51% a 49%. Ambos indicaram empate técnico.

No PoderData, a diferença diminuiu em relação à rodada anterior. Portanto, não cabe anunciar crescimento uniforme da vantagem. O problema político de Lula permanece: ainda precisa virar o jogo. E o calendário não espera.

 

Adesões de peso

Flávio vem ampliando seu arco de alianças. Recebeu o apoio de partidos como Republicanos, Podemos e da federação União Brasil-PP, além de antigos concorrentes à Presidência.

Agora, 16 diretórios estaduais do MDB e o comando do Distrito Federal aderiram à candidatura liberal. É estrutura política, presença municipal e capacidade de mobilização. O adversário que o PT pretendia isolar está reunindo forças.

 

O MDB dividido

Lula também recebeu o respaldo de dez diretórios emedebistas. Não está sem apoio, mas ficou com a parcela menor nessa divisão interna.

A diferença é politicamente incômoda. Enquanto Flávio exibe novas adesões, o presidente precisa demonstrar capacidade de expansão. Reunir os aliados habituais ajuda a sustentar a campanha. Para vencer, porém, será necessário ir além desse círculo.

 

Bondades de última hora

É nesse ambiente que surge o pacote para microempreendedores individuais, anunciado a 12 dias do segundo turno. As medidas incluem perdão de dívidas e renegociações.

O pequeno empreendedor merece atenção permanente. Justamente por isso, o momento escolhido exige cobrança. Por que a urgência apareceu com tamanha intensidade depois do resultado das urnas? O eleitor não é desavisado. Percebe quando a agenda administrativa passa a correr no ritmo da aflição eleitoral.

 

Promessa universitária

Lula também prometeu uma versão universitária do Pé-de-Meia, condicionada à reeleição. O anúncio prevê pagamentos mensais e uma reserva acumulada durante o curso.

Estudante precisa de condições para concluir a formação. Mas uma proposta dessa dimensão exige explicar financiamento, critérios e execução. Vídeo de campanha não substitui planejamento. Anunciar dinheiro é fácil. Difícil é apresentar a conta e demonstrar como ela será paga.

 

A armadilha de Flávio

Flávio Bolsonaro armou uma cilada política e Lula caiu feito um pato. Depois de o petista fugir de todos os debates do primeiro turno, o candidato do PL anunciou que não iria à Band. Bastou isso para Lula correr diante das câmeras e confirmar presença, tentando posar de valente na ausência do adversário.

Nesta quarta-feira, veio a revelação. Flávio confirmou que estará no debate e explicou a provocação: queria primeiro arrancar de Lula um compromisso público. Conseguiu. Chamou o adversário para o confronto e fechou a porta de saída.

 

Agora não tem desculpa

Flávio espera Lula no domingo. Os dois estão oficialmente confirmados para o primeiro confronto direto da campanha. Depois de meses fugindo dos debates, o presidente terá finalmente de encarar o adversário que terminou o primeiro turno à sua frente.

A armadilha funcionou. Lula anunciou presença imaginando um púlpito vazio e acabou convocado para o duelo. Agora resta saber se sustentará a coragem até domingo ou se inventará alguma desculpa de última hora. Porque falar grosso diante de uma câmera é fácil. Difícil será encarar Flávio ao vivo, sem roteiro, sem proteção e diante de milhões de brasileiros.

 

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