Morreu nesta terça-feira (6), aos 85 anos, o artista plástico Juarez Machado. Nascido em Joinville, ele construiu uma trajetória que ultrapassou fronteiras e levou a arte catarinense para diferentes partes do Brasil e do mundo. O artista morreu em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Juarez Machado transitou por diferentes linguagens. Foi pintor, desenhista, escultor, ilustrador, caricaturista, cartunista, cenógrafo e figurinista. Sua produção ficou marcada por personagens, cenas urbanas, boemia, humor e uma identidade visual própria.
Juarez começou a pintar ainda em 1960 e, quatro anos depois, realizou a primeira exposição individual. Na década de 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a participar ativamente do cenário artístico e também trabalhou como chargista e cartunista em importantes jornais brasileiros.
De Joinville para o mundo
Na década de 1980, Juarez Machado mudou-se para Paris e instalou seu principal ateliê em Montmartre, um dos bairros mais tradicionais da capital francesa. A mudança ampliou a projeção internacional do artista, que passou a expor e comercializar suas obras na Europa.
Mesmo longe, Joinville nunca deixou de aparecer em sua trajetória. A cidade natal ganhou obras, homenagens e espaços ligados diretamente ao artista.
Um dos exemplos mais conhecidos é o mural cerâmico “O Grande Circo”, inaugurado em 1998 na entrada do Centreventos Cau Hansen. A obra se tornou parte da paisagem cultural de Joinville e uma das marcas deixadas pelo artista na cidade.
Em 2001, o teatro do Centreventos também recebeu o nome de Teatro Juarez Machado, ampliando a presença do artista no principal complexo cultural do município.
Um presente para a cidade natal
Em 2014, Juarez voltou a deixar uma marca ainda mais pessoal em Joinville com a criação do Instituto Internacional Juarez Machado, no bairro América. O espaço funciona na antiga casa da família e foi criado com o objetivo de aproximar a população da arte e preservar a trajetória do artista.
O instituto reúne obras de mais de 60 anos de carreira, além de promover exposições, cursos, palestras, debates e ações educativas. O próprio espaço é considerado parte do legado de Juarez para a cidade.
Com uma obra que atravessou diferentes linguagens e continentes, Juarez Machado deixa uma marca que vai muito além das telas. Em Joinville, seu nome está ligado à arte, à cultura e a espaços que continuam contando a história de um dos artistas mais reconhecidos que a cidade já revelou.
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