As eleições de 2026 colocaram mulheres no topo de algumas das principais disputas legislativas de Santa Catarina. Candidatas lideraram as votações para a Assembleia Legislativa, a Câmara dos Deputados e o Senado, alcançando marcas expressivas nas urnas e demonstrando força eleitoral em diferentes regiões do Estado.
O desempenho, porém, contrasta com a participação feminina na composição dos parlamentos. Embora representem 52,26% do eleitorado catarinense, as mulheres continuam sendo minoria entre os representantes eleitos. O resultado revela um cenário em que candidaturas femininas conquistam votações expressivas, mas ainda não ocupam, na mesma proporção, os espaços de decisão política.
Ana Campagnolo lidera votação para a Alesc
Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o principal destaque foi Ana Campagnolo (PL), que recebeu 387.523 votos e se tornou a deputada estadual mais votada do Estado em 2026. A votação colocou a parlamentar com ampla vantagem em relação aos demais candidatos ao Legislativo estadual.
Logo atrás apareceu Luciane Carminatti (PT), com 124.590 votos. Com isso, as duas maiores votações individuais para a Assembleia Legislativa foram conquistadas por mulheres, um dado que reforça a força de determinadas candidaturas femininas junto ao eleitorado catarinense.
Apesar desse desempenho, apenas cinco mulheres foram eleitas para as 40 cadeiras da Assembleia, o equivalente a 12,5% do Parlamento estadual. Além de Ana Campagnolo e Luciane Carminatti, a bancada feminina será formada por Juliana Maciel (PL), Chica do Eskudlark (PL) e Anna Carolina (Republicanos).
O PL terá, portanto, três das cinco representantes femininas na próxima legislatura, enquanto PT e Republicanos contarão com uma deputada cada. O número de mulheres eleitas é superior ao da atual legislatura, que conta com três deputadas, mas ainda representa uma parcela reduzida do total de cadeiras disponíveis.
Câmara terá seis deputadas por Santa Catarina
Na Câmara dos Deputados, a presença feminina será proporcionalmente maior. Das 16 vagas destinadas a Santa Catarina, seis foram conquistadas por mulheres: Júlia Zanatta (PL), Ana Paula Lima (PT), Giovana Mondardo (PCdoB), Daniela Reinehr (PL), Paulinha (Podemos) e Geovania de Sá (Republicanos).
Juntas, elas representarão 37,5% da bancada catarinense na Câmara a partir de 2027, percentual superior ao registrado na Assembleia Legislativa, embora ainda abaixo da participação feminina no eleitorado do Estado.
O resultado também chama atenção pelas votações individuais. Júlia Zanatta (PL) foi a candidata a deputada federal mais votada de Santa Catarina, com 560.223 votos. A segunda colocação também ficou com uma mulher: Ana Paula Lima (PT), que recebeu 201.377 votos.
Assim, as duas primeiras posições da disputa pela Câmara Federal em Santa Catarina foram ocupadas por candidatas. O resultado reforça uma característica observada também na eleição estadual: a presença de mulheres entre os nomes com maior capacidade de concentração de votos.
Carol de Toni conquista vaga no Senado
No Senado, o cenário também teve protagonismo feminino. Carol de Toni (PL) conquistou uma das duas vagas em disputa e terminou entre os principais nomes da eleição catarinense para a Casa.
A outra vaga ficou com Carlos Bolsonaro (PL). Com isso, Carol será a única mulher entre os três senadores que formarão a bancada de Santa Catarina no Senado a partir da próxima legislatura.
A presença feminina no Senado catarinense, portanto, continuará restrita a uma das três cadeiras. Ainda assim, o desempenho de Carol de Toni reforça o quadro registrado nas demais disputas legislativas, nas quais mulheres estiveram entre os candidatos mais votados do Estado.
Força nas urnas ainda não se traduz em igualdade
Os resultados das eleições de 2026 mostram duas realidades que coexistem. De um lado, candidatas alcançaram algumas das votações mais expressivas de Santa Catarina e lideraram disputas para diferentes cargos. De outro, a quantidade de cadeiras ocupadas por mulheres continua proporcionalmente inferior à participação feminina no eleitorado.
Essa diferença fica mais evidente na Assembleia Legislativa. Mesmo com as duas candidatas mais votadas do Estado para o cargo sendo mulheres, apenas cinco das 40 vagas serão ocupadas por deputadas. Na Câmara Federal, a presença feminina cresce, mas ainda fica abaixo da metade da bancada catarinense.
O cenário também mostra que bons desempenhos individuais não significam, necessariamente, aumento proporcional da representação feminina. Uma candidata pode concentrar centenas de milhares de votos, enquanto o número total de mulheres eleitas permanece limitado.
Maioria entre eleitores, minoria nos parlamentos
As mulheres representam mais da metade do eleitorado catarinense e tiveram papel de destaque nas urnas em 2026. Lideraram votações para a Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e estiveram entre os nomes mais votados para o Senado.
Ainda assim, continuarão sendo minoria em parte significativa dos espaços legislativos a partir de 2027.
Os números mostram que a presença feminina ganhou força eleitoral, especialmente por meio de candidaturas de grande alcance, mas a composição das casas legislativas ainda está distante de refletir a proporção de mulheres entre os eleitores de Santa Catarina.
A eleição de 2026 evidencia, portanto, que força nas urnas e representação parlamentar não avançam necessariamente no mesmo ritmo. As mulheres ampliaram sua presença, conquistaram posições de destaque e lideraram importantes disputas, mas ainda ocupam uma parcela menor dos espaços onde serão tomadas as decisões políticas do Estado nos próximos anos.
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