(FOLHAPRESS) – Entraram em vigor nesta quarta-feira (30) as novas regras para doação de sangue no Brasil.

A portaria do Ministério da Saúde muda os critérios de aptidão usados pelos hemocentros, com reduções de prazo para doadores que fizeram tatuagem, tiveram câncer ou passaram por outras condições de saúde.

Entre as alterações está o prazo para quem fez tatuagem, piercing ou maquiagem definitiva. Veja as principais mudanças:

Qual é o novo prazo para doar após fazer tatuagem, piercing ou maquiagem definitiva?

O prazo, antes de até 12 meses, cai para 4 meses quando não é possível comprovar a segurança do procedimento. Se houver condições de avaliar essa segurança, a espera é de apenas sete dias.

Como fica a doação para quem teve piercing oral ou genital?

Após retirar um piercing na cavidade oral ou na região genital, a pessoa deve esperar quatro meses para doar, em vez dos 12 meses exigidos anteriormente.

Pessoas que tiveram câncer podem voltar a doar sangue?

Sim. Após cinco anos do fim do tratamento, com cura ou remissão confirmada, pessoas com histórico de câncer podem doar. Melanoma e neoplasias hematopoéticas, como leucemias, linfomas e mielomas, continuam causando inaptidão permanente.

O que mudou para doadores com doenças da tireoide?

O hipertireoidismo deixa de ser, em geral, motivo automático de inaptidão definitiva. A restrição permanente fica limitada à tireotoxicose causada pela doença de Graves, e a tireoidite de Hashimoto deixa de constar como exemplo na lista de doenças autoimunes impeditivas.

Quais são os novos prazos para doação após tuberculose e cirurgia bariátrica?

Após cura da tuberculose pulmonar, a espera cai de cinco para dois anos; a forma extrapulmonar também passa a permitir doação após dois anos, em vez de impedir. Quem realizou cirurgia bariátrica pode doar após seis meses.

Que regra foi criada para usuários de canetas de agonistas GLP-1?

Quem compartilhou uma caneta injetável de agonista GLP-1, como a semaglutida (Ozempic), fica inapto para doar sangue por quatro meses.

Qual é a diferença de prazo entre as formas oral e injetável de PrEP?

Quem usa PrEP (medicamento usado para prevenir a infecção pelo HIV) oral deve aguardar quatro meses após a última dose para doar. Para a PrEP injetável de longa duração, como o cabotegravir, o prazo é de dois anos.

Quais infecções foram incluídas entre as causas de inaptidão temporária e quais são seus prazos?

Chikungunya exige 30 dias após recuperação completa; Oropouche, quatro semanas após a cura mais 30 dias após o último contato sexual com pessoa diagnosticada nos 90 dias anteriores; Mers e Sars-CoV-1, 30 dias após recuperação completa; e Covid-19, 10 dias após recuperação completa, sem manifestações prolongadas que contraindiquem a doação.

Que outras alterações a portaria estabelece e a quem ela se aplica?

O prazo após endoscopias e cirurgias laparoscópicas cai de seis para quatro meses, e o de parceiro sexual casual ou ocasional cai de 12 para quatro meses após o último contato. Para alcoolismo crônico causar inaptidão definitiva, passa a ser exigida evidência de lesão hepática.

As novas regras valem para hemocentros públicos e privados de todo o país e substituem o regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos que estava em vigor desde 2016.