Um novo vinho elaborado exclusivamente com uvas Goethe Primo passou a integrar a produção dos Vales da Uva Goethe, no Sul de Santa Catarina. O rótulo foi a principal novidade da safra 2026 da Vigna Mazon, de Urussanga, e foi apresentado oficialmente no último sábado (10).

Foi a primeira vez que a vinícola separou os dois clones, Goethe Clássica e Goethe Primo, na vinificação. Tradicionalmente utilizadas em conjunto na elaboração dos vinhos, as uvas apresentam diferenças que puderam ser percebidas também na taça.

A Goethe chegou à região na forma hoje conhecida como Goethe Clássica. Ao longo de sua adaptação ao território, uma mutação natural e espontânea deu origem ao clone Goethe Primo, que desenvolveu características próprias.

Essas diferenças foram objeto de pesquisa da sommelière da Vigna Mazon, Luiza Mazon Freitas, durante seu mestrado. O estudo envolveu a caracterização química e sensorial dos dois clones e dos vinhos produzidos a partir deles.

“Durante o mestrado, caracterizei os dois clones para entender essas diferenças. Fizemos tanto a caracterização química quanto sensorial e conseguimos comprovar que eles são diferentes, assim como são diferentes os vinhos provenientes de cada um deles”, explicou Luiza.

Segundo a sommelière, a uva Goethe Clássica apresenta coloração mais rosada e casca mais fina. Seus vinhos apresentam maior acidez e aromas mais intensos, especialmente frutados. Já a uva Goethe Primo apresenta coloração esverdeada e películas mais espessas. Os vinhos elaborados a partir dela resultam em acidez mais equilibrada e perfil aromático mais delicado, com notas de flores brancas.

A safra 2026 levou esse conhecimento para a produção da vinícola. “Até então, os dois clones eram vinificados juntos. Com a separação, será possível degustar e perceber as características de cada uma delas”, acrescentou.