O fim da chamada “taxa das blusinhas” pode parecer uma decisão distante da realidade de Santa Catarina. Não é. Para uma região como o Vale do Itapocu, onde a indústria têxtil faz parte da própria identidade econômica, a discussão chega diretamente ao chão de fábrica.
A cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi extinta por lei sancionada agora em setembro. O ICMS estadual continua sendo cobrado. A medida é defendida como forma de facilitar o acesso do consumidor a produtos importados, mas entidades do setor produtivo alertam para o aumento da diferença de competitividade entre quem produz no Brasil e quem vende de fora.
O alerta merece atenção por aqui. Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil, cerca de 200 empresas brasileiras já abriram unidades no Paraguai e outras podem seguir o mesmo caminho. Entre elas está a catarinense Karsten, que já inaugurou uma unidade no país vizinho. Para o setor, os custos de operação no Paraguai podem ser cerca de 30% menores.
Consequência
É aí que uma decisão tomada em Brasília deixa de ser apenas uma discussão tributária. Quando uma fábrica encontra condições mais competitivas a poucas horas de distância, a consequência pode aparecer no investimento que deixa de ser feito, na expansão que não acontece ou no emprego que deixa de ser criado.
O Brasil precisa decidir como quer competir. O consumidor certamente olha o preço final. A indústria olha também impostos, encargos, burocracia, energia, logística e custo de produção. Se produzir aqui fica mais caro enquanto comprar de fora fica mais fácil, a fronteira passa a ser uma alternativa econômica.
Para o Vale do Itapocu, essa conta não é abstrata. Está nas fábricas, nos empregos e em uma cadeia produtiva construída durante décadas. O Paraguai não está do outro lado do mundo. Está logo ali. E, quando o investimento começa a atravessar a fronteira, talvez seja tarde para descobrir que o problema não estava no consumidor que comprou mais barato, mas nas condições oferecidas a quem produz.
Chateado
Antídio Lunelli não escondeu a insatisfação com a saída de Jair Franzner do MDB. Em entrevista à Jovem Pan News Floripa, afirmou ter ficado “chateado” com a decisão e lembrou que foi ele quem convidou Franzner para entrar na política. Na mesma conversa, fez outra avaliação que chamou atenção: disse que o atual prefeito “não tem ginga política”. A declaração expõe o desgaste de uma relação política construída ao longo dos anos.
Troca de comando
Por 20 dias, Schroeder terá Adriano Kath no comando da Prefeitura. O vice assumiu nesta quarta-feira (16), durante as férias de Jair Bridaroli, que retorna em 5 de outubro. No período, terá pela frente entre 15 e 20 obras em andamento e a preparação da Schroederfest, de 8 a 11 de outubro. Bridaroli também aproveitará o afastamento para realizar um procedimento cirúrgico.
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