Há números que vão além das estatísticas e merecem uma reflexão mais profunda. No primeiro turno das eleições de 2026, mais de um milhão de catarinenses deixaram de comparecer às urnas. A abstenção chegou a 18,95%, um crescimento de 0,49 ponto percentual em relação a 2022. Em outras palavras, quase um em cada cinco eleitores não participou diretamente da escolha dos representantes políticos.
A ausência nas urnas não tem uma única explicação. Pode ser consequência de dificuldades de deslocamento, problemas pessoais, desinteresse ou até descrença nas instituições. Seria precipitado atribuir a todos os ausentes uma mesma motivação. Mas também seria um equívoco ignorar o significado coletivo desse comportamento.
A democracia não se resume ao ato de votar. Ela se constrói diariamente, na participação comunitária, na fiscalização dos governantes, no debate público e no interesse pelos caminhos da sociedade. Entretanto, o voto continua sendo um de seus instrumentos mais importantes, justamente por permitir que diferentes vozes participem das decisões que afetam a vida de todos.
Quando uma parcela expressiva da população deixa de comparecer, surge uma questão que merece atenção: estamos conseguindo aproximar a política das preocupações reais das pessoas? Saúde, educação, segurança, emprego e infraestrutura fazem parte do cotidiano, mas nem sempre o cidadão percebe com clareza a relação entre essas necessidades e as decisões tomadas nas esferas de poder.
Também é necessário reconhecer que a participação política não pode ser medida apenas pela presença nas urnas. Existem cidadãos atentos e atuantes que, por diferentes circunstâncias, não conseguem votar. Da mesma forma, comparecer à seção eleitoral não significa, necessariamente, acompanhar de perto a vida pública.
O desafio, portanto, vai além de reduzir percentuais de abstenção. Passa por fortalecer a educação política, ampliar o acesso à informação de qualidade e estimular uma relação mais próxima e transparente entre representantes e representados.
Mais do que lamentar as ausências, é preciso compreender suas razões. Afinal, uma democracia se fortalece quando cada cidadão encontra condições, informação e motivos para fazer sua voz ser ouvida.
The post O silêncio de mais de um milhão de eleitores appeared first on OCP News | As melhores notícias e histórias de Santa Catarina.
