A Oktoberfest começa antes da música, dos desfiles e do primeiro chope. Para muita gente, ela começa no orçamento. Uma pesquisa da Serasa mostra que 59% dos catarinenses que pretendem participar da festa em 2026 costumam se planejar financeiramente antes do evento.

O levantamento ouviu 632 moradores de Santa Catarina entre 20 de agosto e 1º de setembro. A coleta foi online, com margem de erro de 3,9 pontos percentuais, e considerou consumidores da Serasa e participantes do painel da Opinion Box.

A maior parte do público vai para aproveitar a festa. Entre os entrevistados, 85% pretendem apenas curtir a Oktoberfest, 10% querem conciliar lazer e trabalho e 5% irão exclusivamente para trabalhar. Entre os que vão se divertir, 62% pretendem ficar um ou dois dias.

O consumo é parte central dessa experiência. Três em cada quatro participantes pretendem gastar até R$ 600 durante o evento. Alimentação aparece como o principal gasto previsto, citada por 45% dos entrevistados. Bebidas vêm depois, com 31%. Hospedagem e ingresso aparecem com 6% cada.

O cartão de crédito deve ter presença forte. Para 41% dos entrevistados, ele será o principal meio de pagamento, em uma única parcela. Outros 23% pretendem usar Pix à vista.

A organização financeira também passa por cortes. Para conseguir participar da festa, 45% dizem reduzir gastos em outras áreas e 44% diminuem despesas com outros eventos. Já 29% buscam alguma forma de complementar a renda.

Esse movimento ajuda a explicar por que a Oktoberfest vai além do lazer. Para parte do público, ela também funciona como uma oportunidade de geração de renda.

Quinze por cento dos entrevistados pretendem trabalhar durante o período da festa. Desse total, 10% querem conciliar trabalho e diversão e 5% irão exclusivamente a trabalho.

Entre esse grupo, 68% terão a primeira experiência desse tipo. Outros 10% já atuam de forma recorrente e 5% trabalham em todas ou quase todas as edições.

A percepção sobre as oportunidades é positiva: 66% consideram muito boas as possibilidades de renda extra quando bem aproveitadas.

Os trabalhos temporários dentro do próprio evento aparecem em primeiro lugar, com 38%. Na sequência vêm empregos temporários em estabelecimentos da cidade, com 18%, e atividades como motorista de aplicativo, com 14%.

Venda de alimentos aparece com 11%, bebidas com 10% e itens ou souvenirs, com 5%. O dinheiro extra costuma ter destino definido. Entre os objetivos financeiros, 46% pretendem complementar a renda e 26% querem formar uma reserva.

Outros 20% miram limpar o nome, enquanto 19% pretendem usar o valor para alcançar algum objetivo específico, como viagem ou reforma. A mesma proporção, 19%, planeja quitar dívidas.

A expectativa de retorno também chama atenção. Entre os participantes pesquisados sobre renda, 31% estimam faturar mais de R$ 2 mil durante o período da festa. Outros 48% acreditam que podem aumentar a renda em até 40%.  Além disso, 67% afirmam que costumam faturar valor próximo ou acima do que haviam calculado.

Do lado do consumo, o cuidado com o orçamento continua sendo necessário. Para 45% dos entrevistados, a Oktoberfest compromete as finanças, embora esse gasto ainda seja absorvido.

Há também uma parcela que encontra dificuldade para calcular o custo total da experiência. Segundo a pesquisa, 24% dizem que frequentemente ultrapassam o valor previsto. Outros 22% pretendem usar o limite do cartão de crédito para aproveitar a festa.

Além disso, 18% afirmam já ter contraído dívidas por causa de grandes eventos, como a Oktoberfest, e 32% dizem sentir falta de informações específicas sobre como administrar o dinheiro em ocasiões desse tipo.

Ainda assim, a festa segue associada a lazer, convivência e tradição. As comidas típicas são apontadas por 66% como um dos principais atrativos. Animações, desfiles, shows e atrações aparecem com 54%.

A cultura alemã é citada por 51%, enquanto amigos e família aparecem para 49%. A variedade de cervejas artesanais é mencionada por 46%.

A Oktoberfest, portanto, movimenta duas pontas ao mesmo tempo. De um lado, consumo e planejamento. Do outro, trabalho temporário e renda extra. É festa, mas também é economia circulando.

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