Uma operação da Polícia Civil deflagrada na manhã desta terça-feira (6/10/26) afastou das funções o prefeito, Nei Paulo Venturi (MDB), e o vice-prefeito, Lucas Noriller (PL), de Rio dos Cedros, no Médio Vale do Itajaí, durante uma investigação sobre suspeitas de crimes contra a administração pública.

Batizada de “Passe de Mágica”, a ação também resultou no afastamento da secretária de Planejamento, Habitação e Meio Ambiente e de um servidor público do município. As medidas foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), responsável pela supervisão do inquérito.

Ao todo, 37 mandados de busca e apreensão são cumpridos em Rio dos Cedros, Timbó e Blumenau. A Prefeitura de Rio dos Cedros está entre os endereços alvo das buscas.

A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (4ª DECOR), ligada à Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em Blumenau.

Investigação começou em 2025

As apurações começaram em 2025 e se estenderam por cerca de 15 meses. Segundo a Polícia Civil, três frentes principais estão sob investigação.

Uma delas envolve a suspeita de aquisição de imóveis por meio de terceiros. Esses bens teriam sido valorizados posteriormente em razão de decisões, atos administrativos ou obras realizadas pelo próprio poder público municipal.

Outra linha apura um possível direcionamento de licitações e contratos de obras para empresas que teriam ligação com pessoas investigadas. A polícia também investiga uma suposta ocultação de valores, com movimentação de dinheiro em espécie e uso de empresas para circulação dos recursos.

Até o momento, as suspeitas são investigadas e não representam condenação dos envolvidos. Todos terão a oportunidade de apresentar as suas defesas.

Imóveis sequestrados e contratos suspensos

Além dos afastamentos, o Tribunal de Justiça determinou uma série de medidas cautelares relacionadas ao caso. Entre elas estão o sequestro de 26 imóveis e o bloqueio de bens e valores de até aproximadamente R$ 34,6 milhões.

A Justiça também determinou a suspensão de contratos e pagamentos destinados a empresas investigadas, além da proibição de contato entre pessoas que são alvo do inquérito.

A operação mobiliza 120 policiais civis de diferentes delegacias de Santa Catarina, com apoio da Polícia Científica.

Documentos, equipamentos e outros materiais recolhidos durante as buscas serão analisados pelos investigadores. Segundo a Polícia Civil, esse conteúdo poderá dar origem a novas diligências conforme o avanço da apuração.

A corporação informou que novas informações sobre a Operação “Passe de Mágica” serão divulgadas posteriormente.

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