A eleição de 2026 deixou dois recados importantes: Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, enquanto Michelle Bolsonaro garantiu uma cadeira no Senado e se consolidou como uma das principais lideranças da direita brasileira. Em campos opostos, ambos demonstraram força eleitoral, mas o significado de suas vitórias vai além das urnas. Michelle transformou o capital político do bolsonarismo em mandato próprio; Lula reafirmou sua capacidade de mobilização, mas também tornou inevitável a discussão sobre quem poderá sucedê-lo.

A vitória de Michelle é especialmente relevante porque amplia seu espaço de atuação e sua influência nas disputas futuras. Resta saber se conseguirá construir uma liderança autônoma ou se permanecerá politicamente vinculada ao sobrenome Bolsonaro. Já Lula enfrenta outro desafio: sua vitória não resolve o problema da sucessão do PT. Um partido que depende tanto de uma única liderança precisa aproveitar esse ciclo para preparar novos quadros, capazes de dialogar com a sociedade e apresentar respostas aos problemas do país.

Mas essa responsabilidade não pertence apenas ao PT. O Brasil precisa de novas lideranças, e elas não precisam necessariamente vir da esquerda ou de qualquer partido específico. Podem surgir do centro, da direita, dos movimentos sociais ou de outras forças políticas. Renovar não significa apenas trocar rostos ou apostar em candidatos jovens, mas formar lideranças com preparo, compromisso democrático, representatividade e capacidade de construir projetos para além de interesses pessoais ou familiares.

No fim, Michelle venceu, Lula venceu e o eleitor fez sua escolha. Mas a questão mais importante é quem está sendo preparado para liderar o Brasil nos próximos dez ou vinte anos. Uma democracia madura não pode depender eternamente dos mesmos nomes, sobrenomes e disputas. Vencer uma eleição demonstra força política. Construir uma nova geração de lideranças demonstra maturidade. E é justamente isso que o Brasil ainda precisa aprender a fazer.

Marco Antônio André, advogado e ativista de Direitos Humanos