Lula passou 580 dias preso, sustentando que era vítima de perseguição judicial. Suas condenações foram anuladas pelo STF, e a parcialidade de Sergio Moro foi reconhecida no caso do tríplex. Lula enfrentou a prisão sem sair do País e voltou à Presidência.

Jair Bolsonaro, o capitão que prometia enfrentar o sistema, perdeu a eleição e foi para os Estados Unidos antes de terminar o mandato. Não passou a faixa, não encarou a cerimônia e assistiu de longe à posse do adversário. Depois, voltou. O discurso era de guerra; a imagem que ficou foi a de um líder ausente na hora simbólica da derrota.

E Alexandre de Moraes? Os Bolsonaros fizeram do ministro um inimigo central de sua narrativa política, mas a pergunta permanece: cadê o enfrentamento que ele tanto cobrava dos outros? Lula confrontou publicamente Sergio Moro e denunciou sua atuação. Bolsonaro, cercado de bravatas, acabou mostrando que falar grosso contra o sistema é uma coisa; bancar as consequências do confronto é outra, preferiu fazer piada e chamar seu “inimigo” pra ser vice-presidente.

Flávio e Eduardo seguem a cartilha familiar: perseguição para explicar os reveses, conspiração para justificar as dificuldades e patriotismo para mobilizar a plateia e ambos fogem, sem lutar ,sem explicar e como covardes, só gritam pelo celular.

E os apoiadores? Muitos compraram a imagem de guerreiros dispostos a tudo. Foram às ruas, romperam amizades e compraram brigas em nome de homens que prometiam nunca recuar. A frustração é inevitável quando o herói do palanque não corresponde ao herói imaginado.

Patriotismo não é fantasia. Coragem não é gritaria. E liderança não é mandar os outros para a linha de frente enquanto se procura uma saída.

No fim, sobra uma pergunta incômoda: os Bolsonaros queriam mesmo guerrear contra o sistema ou só precisavam de uma multidão convencida de que eles eram capazes disso, enquanto faziam “negócios privados” com dinheiro publico?

Porque valentia de microfone não é coragem. E herói que só é valente no discurso corre o risco de descobrir que seus seguidores também sabem distinguir teatro de realidade, ou deveriam.

Marco Antônio André, advogado e ativista de Direitos Humanos