A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), publicou nesta quarta-feira (28), o plano de manejo do Parque Natural Municipal do Morro da Cruz (PANAMC). O documento regulamenta o zoneamento e as normas que devem orientar o uso da área protegida, conforme a Portaria FLORAM nº 043/2026.

“O Morro da Cruz, diferente das outras Unidades de Conservação, tem uma particularidade. É a mais urbana, cercada por bairros e comunidades que convivem com o espaço protegido diariamente. Planejar e estabelecer diretrizes nesta área significa conciliar a proteção da Mata Atlântica com a realidade de quem vive no entorno”, destaca o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luiz Felipe Braga Kronbauer.

O PANAMC tem 129,20 hectares e está localizado no Maciço do Morro da Cruz, na porção central da Ilha de Santa Catarina, uma das regiões mais urbanizadas do município. A Unidade protege um remanescente de Floresta Ombrófila Densa em meio à malha urbana e faz divisa com comunidades como Monte Serrat, Alto da Caieira e Serrinha.

“O próprio plano de manejo define a Unidade como um oásis no centro urbano da Ilha, com influência direta na regulação do microclima do entorno, na concentração de nascentes que abastecem bacias hidrográficas da região central e na função de refúgio e trampolim ecológico para a fauna e a flora”, explica Guilherme Adilson de Freitas, chefe do Departamento de Unidades de Conservação.

O plano divide o parque em nove zonas, cada uma com regras próprias de uso. Na prática, o zoneamento passa a ser o mapa que orienta a Floram a autorizar ou negar atividades na Unidade, da abertura de trilhas à instalação de estruturas. As áreas mais preservadas formam a Zona Intangível, que ocupa 49,45% do parque e é destinada à proteção integral e ao monitoramento ambiental, sem visitação. A visitação, o lazer e a educação ambiental ficam concentrados nas demais zonas, entre elas as que abrigam a sede, as trilhas e os mirantes. O documento também define a zona de amortecimento, faixa de 50 a 500 metros no entorno do parque, onde novas atividades e empreendimentos seguem regras específicas para reduzir impactos sobre a área protegida.

“Nosso objetivo é proteger as UCs através de um planejamento com base técnica e uma gestão comprometida. No caso do Morro da Cruz, esse esforço tem uma marca comunitária muito forte, porque a criação do parque nasceu da mobilização das associações de moradores do maciço. A revisão do plano manteve essa lógica, com oficinas que ouviram moradores, escolas e conselheiros para transformar o conhecimento do território em diretrizes concretas para o dia a dia”, reforça o presidente da Floram, Fábio Henrique Machado.

Com a publicação, o município passa a contar com os planos de manejo de todas as suas Unidades de Conservação já consolidadas. Falta apenas o Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche, a mais nova UC de Florianópolis, cujo plano está em fase inicial com discussões em curso no Grupo de Trabalho instaurado. Os planos de manejo das unidades de conservação municipais estão disponíveis no site oficial da Prefeitura de Florianópolis.

 

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