Os três pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) que vão investigar o fundo do Oceano Atlântico durante 42 dias, estão a bordo do navio oceanográfico RV Falkor (too). Eles estão entre os 25 cientistas, de cinco países, que integram a expedição The Gap, realizada em parceria com a organização filantrópica Schmidt Ocean Institute, dos Estados Unidos. O embarque foi na manhã desta sexta (18), em Fortaleza.
Até 29 de outubro, quando desembarcarão em Tema (Gana), a equipe vai se dedicar à exploração da Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina composta por uma sequência de montanhas e vales. A área, de aproximadamente mil quilômetros de extensão, está localizada ao longo da linha do Equador, a meio caminho entre as costas do Brasil e da África.
O professor Angel Perez, da Escola Politécnica da Univali, lidera a expedição como cientista-chefe e explica que o objetivo da incursão é obter evidências concretas e inéditas sobre a biodiversidade e os ecossistemas profundos da região, a partir da utilização de tecnologias modernas. Além de Perez, também fazem parte da expedição os oceanógrafos e técnicos de laboratório da Univali, Lucas Gavazzoni e Flávia Masumoto.
Fundo do mar em alta definição
Durante a exploração, os pesquisadores da The Gap terão apoio do SuBastian, um robô operado remotamente (ROV). Com uma capacidade de mergulho de até 4,5 mil metros de profundidade, o equipamento produzirá imagens do fundo marinho em alta resolução. Por meio desta tecnologia, os cientistas pretendem conhecer mais sobre seus habitats e biodiversidade.
“O SuBastian é um equipamento de alta performance que, além de gerar imagens submarinas inéditas, nos permitirá coletar amostras da fauna. É importante citar que todos estes dados, informações, imagens e amostras, que vamos coletar durante a The Gap, vão ser disponibilizados gratuitamente à sociedade e, sem dúvida, servirão de referência a estudos futuros sobre o mar profundo”, conta o cientista-chefe da expedição.
Mergulhos serão transmitidos ao vivo
Um dos pontos altos da The Gap será a transmissão, em tempo real, dos mergulhos executados pelo (ROV) SuBastian. As atividades serão realizadas com narração em português e inglês e exibidas em alta definição. Estas incursões terão duração em torno de oito horas e poderão ser acompanhadas, por qualquer pessoa, no canal oficial da Schmidt Ocean Institute no Youtube.
Programa de Mar Profundo
Desde 2009, a Univali integra o Programa de Mar Profundo, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo). A instituição de ensino já participou de explorações desta natureza nos anos de 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025.
O professor Angel explica que estas expedições são um legado para a preservação do Oceano Atlântico, pois ajudam os cientistas a compreender o mar profundo, área equivalente a cerca de 70% da superfície do planeta Terra.
Sobre a Schmidt Ocean Institute
A Schmidt Ocean Institute (SOI) é uma organização sem fins lucrativos. Fundada em 2009, pelos filantropos Eric e Wendy Schmidt, a entidade visa promover a pesquisa oceanográfica, a descoberta e o conhecimento, bem como incentivar o compartilhamento de informações sobre os oceanos.
Por meio do navio de pesquisa R/V Falkor (too), a entidade oferece a cientistas de todo o mundo acesso gratuito às tecnologias de ponta para pesquisa marinha, em troca da disponibilização pública dos resultados das pesquisas. A embarcação atua amplamente em todos os oceanos, não estando vinculada a nenhuma localização geográfica específica, e também dispõe de uma plataforma para testes de novas tecnologias.
Todos os anos a SOI lança uma chamada para propostas de exploração marítima. Um comitê de seleção, composto por especialistas externos, conselho consultivo e equipe interna, é responsável pela seleção dos projetos.
Em 2026, a SOI está promovendo um total de nove expedições no Atlântico Sudoeste e Mar do Caribe. Cientistas brasileiros, incluindo jovens pesquisadores, estão marcando presença nessas expedições além de serem os proponentes e chefes científicos de duas delas, a “The Gap” (liderada pelo professor Angel Perez, da Univali) e a “Seamount Journey” (liderada por Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo – Ufes).
Texto: Assessoria Imprensa Univali
