A promessa era tentadora: investir dinheiro em plataformas digitais e receber lucros de até 3% ao dia, sem precisar acompanhar o mercado. O que parecia uma oportunidade de ganhar dinheiro fácil, porém, virou alvo da Polícia Federal. Mais de 10 mil pessoas podem ter caído em esquemas de pirâmide financeira que movimentaram investidores no Brasil e até no exterior.

Para avançar nas investigações, a Polícia Federal colocou nas ruas, nesta quinta-feira (22), a Operação São Silvestre, que mira grupos suspeitos de usar criptomoedas e supostos robôs de investimento para atrair vítimas.

Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em dez municípios de seis estados. Santa Catarina concentra metade das diligências, com ações em Florianópolis, Blumenau, Pomerode, Indaial e Rio do Sul. Blumenau recebeu duas buscas, enquanto as outras quatro cidades catarinenses têm uma ordem judicial cada.

A operação também chegou a Curitiba, no Paraná, onde são cumpridos dois mandados. As demais buscas ocorrem em Álvares Machado, em São Paulo; Belo Horizonte, em Minas Gerais; e nas cidades pernambucanas de Jaboatão dos Guararapes e Recife, com uma diligência em cada município.

As ordens partiram do 3º Juízo da Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina.

Foto: Polícia Federal

 

Justiça determina bloqueio milionário

Além das buscas, a Justiça autorizou uma medida para tentar impedir que o patrimônio investigado desapareça antes de uma possível reparação às vítimas.

Bens e valores de 15 pessoas físicas e 13 empresas tiveram o bloqueio determinado, até o limite de R$ 100 milhões. A intenção é preservar recursos que poderão ser utilizados para ressarcir os investidores prejudicados.

Segundo a Polícia Federal, os grupos investigados atuaram entre 2018 e 2020, período em que conseguiram atrair pessoas de diferentes regiões do país e também do exterior. O principal chamariz era a promessa de rentabilidade muito acima do que normalmente se encontra no mercado financeiro.

As plataformas anunciavam ganhos diários de 2% a 3%. Em outras ofertas, os lucros prometidos variavam de 10% a impressionantes 70% ao mês. Esses percentuais, de acordo com os investigadores, eram utilizados para convencer as pessoas a depositar dinheiro nas supostas aplicações financeiras.

Investigados respondem por cinco tipos de crime

Com o avanço da apuração, os suspeitos foram indiciados por associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e infrações contra o mercado de capitais.

A Polícia Federal também busca reunir mais documentos que ajudem a esclarecer a dimensão das fraudes e identificar os prejuízos sofridos pelos investidores. Quem aplicou dinheiro nas plataformas investigadas e possui comprovantes dos depósitos pode colaborar com a operação.

As informações e os documentos devem ser encaminhados ao e-mail denunciapiramides.iji@pf.gov.br, disponibilizado pela Polícia Federal para receber material relacionado ao caso.

A investigação tenta agora seguir o caminho do dinheiro e dimensionar os danos deixados por promessas de lucros extraordinários que, para milhares de investidores, podem ter terminado em prejuízo.

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