A Polícia Federal (PF) começou a reorganizar documentos que reúnem referências a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) identificadas durante as investigações do caso Master. A medida busca adequar os relatórios às orientações do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que determinou o envio de todas as menções encontradas, sem conclusões ou avaliações sobre a conduta dos magistrados.
A decisão foi discutida em reunião realizada na terça-feira (13), entre Fachin e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O encontro teve como objetivo estabelecer os procedimentos para encaminhar à Corte informações extraídas de celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos durante as apurações.
Segundo as orientações, os documentos deverão apresentar os registros de maneira objetiva e descritiva, sem atribuir responsabilidades ou indicar a existência de crimes. A PF deverá reunir informações como mensagens, identificação de interlocutores, datas de conversas e referências a encontros e viagens, preservando o contexto em que os nomes dos magistrados aparecem.
A corporação prepara relatórios individualizados envolvendo seis ministros do STF e pelo menos dois integrantes do STJ. Entre os nomes citados no material estão Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
Mensagens extraídas de celulares
Parte das informações foi identificada durante a análise dos dispositivos eletrônicos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e de Fabiano Zettel, cunhado dele. Os dados incluem referências diretas e indiretas a autoridades, além de mensagens relacionadas a encontros e eventos.
Em fevereiro, a Polícia Federal já havia encaminhado a Fachin um documento com aproximadamente 200 páginas que reunia informações extraídas dos aparelhos de Vorcaro e fazia referências ao ministro Dias Toffoli. O material mencionava possíveis encontros, pagamentos e conversas envolvendo a empresa Maridt, ligada à família do magistrado, e o resort Tayayá, no Paraná.
Em setembro, outro relatório, com 218 páginas, reuniu mensagens atribuídas a Vorcaro que mencionavam Alexandre de Moraes. Entre os registros estavam conversas próximas à prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025. A existência dessas mensagens, por si só, não comprova irregularidades por parte do ministro.
STF decidirá sobre eventuais investigações
Conforme as orientações de Fachin, a Polícia Federal deverá encaminhar todas as informações encontradas, sem omitir nomes ou registros. A eventual abertura de investigações contra ministros dependerá de decisão do plenário do Supremo, após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A definição busca estabelecer um procedimento uniforme para o tratamento das referências a integrantes dos tribunais superiores, respeitando as competências legais e constitucionais de cada instituição.
A Polícia Federal deverá concluir os documentos e encaminhá-los ao STF. Depois, caberá à PGR se manifestar sobre a existência de elementos que justifiquem novas apurações, antes de eventual deliberação dos ministros da Corte.
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