Gabriel Bortoleto tem chamado a atenção da liderança da Audi não apenas pelo desempenho nas pistas, mas também pela postura profissional e pela disposição para evoluir na Fórmula 1. Mattia Binotto, líder do projeto da equipe alemã, vê no brasileiro características semelhantes às de Michael Schumacher, heptacampeão mundial com quem trabalhou durante a fase mais vitoriosa da Ferrari.

Em entrevista exclusiva ao portal ge, Binotto ressaltou as semelhanças entre os dois pilotos, especialmente na maneira de trabalhar e de se relacionar com a equipe. O dirigente, porém, fez questão de diferenciar as características pessoais do desempenho esportivo, considerando as diferenças entre as épocas e os carros da categoria.

“Hoje, no paddock da F1, o Gabi (Bortoleto), para mim, é aquele que está mais próximo do Michael em termos de atitude. Não quero comparar a velocidade na pista, porque isso é diferente. É uma época diferente, carros diferentes, e não acho que seja comparável. Mas a atitude de permanecer humilde, ser trabalhador, sempre disposto a melhorar, incentivando a equipe e a si mesmo, é certamente algo que dá para perceber, mesmo ele sendo muito jovem”, afirmou.

“Ele já tem as atitudes certas e fico muito feliz em ver isso, porque foi isso que me convenceu, aliás, quando o conheci pela primeira vez. E, com a experiência, em vez de perder essa atitude, ele está, ao contrário, desenvolvendo-a ainda mais. Então, acho que é a maneira como ele está se desenvolvendo; estou muito satisfeito e muito feliz em ver isso”, completou.

O dirigente trabalhou como engenheiro de motores na Ferrari durante parte do período em que Schumacher conquistou cinco títulos consecutivos, entre 2000 e 2004.

A aposta em Bortoleto foi uma das decisões importantes de Binotto ao assumir a liderança do projeto da Audi na metade de 2024. Naquele período, o brasileiro se destacava na Fórmula 2 e conquistou o título da categoria ao fim da temporada, depois de também ter sido campeão da Fórmula 3 em seu ano de estreia.

A sequência de títulos nas duas categorias de acesso, alcançada como estreante, colocou Bortoleto em um grupo seleto que também inclui George Russell, Charles Leclerc e Oscar Piastri.

Além do talento demonstrado nas pistas, a maturidade do brasileiro é um dos aspectos que mais impressionam o chefe da Audi. Para Binotto, o piloto reúne características importantes para quem pretende chegar ao topo da categoria.

“Ele é muito maduro para alguém tão jovem. Não há dúvida disso e acho que todos podem perceber isso. Ele tem senso de responsabilidade, mas também tem espírito competitivo. Ele tem fome de vitória; o desejo de se tornar campeão um dia é o que o impulsiona a cada dia a ficar cada vez mais forte e rápido. Portanto, além de ter essa fome de vitória, ele tem as atitudes certas, e isso o tornará um campeão”, disse.

Gabriel Bortoleto e Mattia Binotto | Foto: Divulgação/Audi

O desenvolvimento de Bortoleto está diretamente ligado ao planejamento da Audi para se estabelecer entre as principais equipes da Fórmula 1. O projeto tem como meta disputar títulos até 2030, e a evolução do piloto brasileiro faz parte dessa construção.

Na temporada de 2026, Bortoleto já entrou para a história da equipe ao conquistar os primeiros pontos da Audi na categoria. O brasileiro terminou em nono lugar no Grande Prêmio da Austrália, disputado no circuito de Albert Park, em Melbourne, etapa que abriu o campeonato. Na mesma corrida, também levou o carro da equipe ao Q3 pela primeira vez.

Binotto destacou que o crescimento conjunto do piloto e da equipe pode representar uma oportunidade de construir um legado na categoria.

“Este crescimento conjunto é ótimo tanto para a Audi quanto para o Gabi. Faz parte do sonho do Gabi, que é também o nosso sonho, que ele possa ser o primeiro piloto da Audi a vencer uma corrida ou um campeonato, porque, no fim das contas, ele poderá criar esse legado para si mesmo, para a Audi e para o Brasil, onde foi Ayrton Senna que trouxe essa marca para o país. Então isso é muito legal e por isso que acho que esse legado também é muito importante para ele”, declarou.

Ao avaliar a segunda temporada de Bortoleto na Fórmula 1, Binotto destacou o ganho de confiança proporcionado pela experiência acumulada desde a estreia, quando o brasileiro ainda defendia a Sauber, estrutura que deu origem ao projeto da Audi. Embora o piloto não marque pontos desde o Grande Prêmio da Bélgica, em julho, o dirigente considera que seu desempenho em 2026 demonstra evolução em relação ao primeiro ano na categoria.

“Dá para ver que o Gabi, nesse segundo ano, ganhou muito mais confiança do que no primeiro. Além disso, ao chegar em pistas nas quais ele nunca havia pilotado antes, agora ele tem mais confiança. Então, é a experiência que traz confiança. E a confiança para um piloto é essencial quando se trata de tomar decisões, não é? Seja nas decisões certas na pista ou fora dela. E ele está pilotando ainda mais rápido do que no ano passado. Mas não porque ele tenha se tornado mais rápido. Ele já era talentoso e rápido, mas agora tem mais experiência e confiança, então consegue atingir um nível melhor. E tenho certeza de que, quanto mais ele se esforçar, mais experiência vai adquirir, mais rápido ficará e mais confiança terá para tomar decisões”, finalizou.

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