O currículo está pronto e a entrevista não deverá ser mais um terreno completamente desconhecido. Para 69 adolescentes de Blumenau, entre 14 e 17 anos, o primeiro dia de outubro de 2026, marcou o fim de uma preparação e o começo de outra etapa: a procura pela primeira oportunidade no mercado de trabalho.

Eles concluíram o Programa de Iniciação ao Trabalho (PIT), da Prefeitura de Blumenau e saem do curso com uma bagagem pensada justamente para quem ainda não tem experiência profissional para colocar no currículo. A formação passa pela elaboração desse primeiro currículo, preparação para entrevistas, postura profissional e comunicação. Também trabalha ética e cidadania.

É uma preparação que ganha peso quando colocada diante do tamanho do mercado que esses adolescentes começam a conhecer. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 671,6 mil vínculos de aprendizes ativos. O número cresceu 10,17% em relação ao ano anterior. Em novembro, o país chegou ao pico de 715,4 mil vínculos.

Ainda havia espaço para avançar. Segundo o próprio ministério, o potencial brasileiro era de 1,12 milhão de vagas de aprendizagem e, em dezembro de 2025, aproximadamente 58% delas estavam ocupadas.

A aprendizagem profissional atende adolescentes e jovens de 14 a 24 anos e funciona como uma política pública de entrada no mundo do trabalho. Para quem tem 14 ou 15 anos, inclusive, a legislação permite o trabalho apenas na condição de aprendiz.

O cenário geral do emprego também melhorou. Em 2025, a taxa anual de desocupação do Brasil ficou em 5,6%, a menor da série histórica iniciada em 2012. Mesmo assim, entrar no mercado ainda tem particularidades para quem é jovem.

Dados apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram essa diferença. No quarto trimestre de 2024, a taxa de desemprego entre adolescentes e jovens de 14 a 24 anos era de 14,3%. No mesmo período, 14,5 milhões de pessoas dessa faixa etária estavam ocupadas.

É nesse intervalo entre querer trabalhar e conseguir a primeira oportunidade que iniciativas de preparação encontram espaço.

Criado em 2005, o PIT oferece formação teórica e orienta os adolescentes sobre vagas de estágio e programas de aprendizagem. O programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (SEMUDES), por meio da Gerência de Inclusão Social, em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

Para quem termina o curso aos 14, 15, 16 ou 17 anos, não há garantia de vaga — e o programa não promete isso. O que os 69 adolescentes levam é preparação para chegar à primeira seleção sabendo como apresentar um currículo, conversar em uma entrevista e entender a postura esperada no ambiente profissional.

Fomentar a entrada de jovens no mercado passa por abrir oportunidades. Mas passa também por prepará-los para reconhecê-las e disputá-las. Para essa turma, o PIT terminou. A vida profissional ainda está na primeira linha do currículo.

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