Os efeitos do El Niño já não podem ser tratados como episódios distantes ou imprevisíveis. Para quem vive da agricultura e da pecuária, cada período de chuva intensa, vendaval, granizo ou excesso de umidade representa uma ameaça concreta à produção, à renda e, em muitos casos, ao patrimônio construído ao longo de anos. Por isso, prevenir deixou de ser uma escolha: tornou-se uma necessidade.

A elaboração de um guia de prevenção para o agronegócio pela Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Jaraguá do Sul é uma iniciativa oportuna e que merece atenção dos produtores. Mais importante do que produzir um documento, porém, é fazer com que essas orientações cheguem a quem está no campo e sejam incorporadas à rotina das propriedades.

Não há como impedir a chegada de uma tempestade, mas é possível reduzir seus impactos. Verificar sistemas de drenagem, reforçar estufas, evitar cultivos em locais sujeitos a alagamentos, proteger rações e insumos da umidade e manter animais afastados de áreas de risco são cuidados aparentemente simples, mas que podem fazer uma enorme diferença quando o tempo muda de forma brusca.

Também é fundamental que propriedades localizadas em regiões com histórico de enchentes ou deslizamentos tenham um plano de emergência. Saber antecipadamente como retirar animais, máquinas e equipamentos pode evitar decisões improvisadas justamente no momento em que cada minuto conta.

Outro ponto que merece ser reforçado é o acompanhamento das previsões meteorológicas e dos alertas oficiais. Informação climática precisa ser encarada como ferramenta de trabalho. O produtor que acompanha as condições previstas ganha tempo para tomar decisões e proteger sua atividade.

O campo sempre conviveu com as incertezas da natureza. O que mudou é a frequência e a intensidade com que eventos extremos têm afetado diferentes regiões. Diante disso, confiar apenas na experiência acumulada já não é suficiente. É preciso unir conhecimento técnico, planejamento e prevenção.

O guia elaborado em Jaraguá do Sul deve, portanto, ser visto como um ponto de partida. Cabe ao poder público manter a orientação próxima dos produtores e, a quem trabalha no campo, transformar informação em ação. Quando o clima não pode ser controlado, estar preparado é a melhor forma de diminuir perdas e proteger o futuro da produção rural.

The post Planejar para reduzir perdas appeared first on OCP News | As melhores notícias e histórias de Santa Catarina.