Quem procura o Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Prevenção (CEDAP), em Blumenau, pode estar em busca de um teste de HIV, de medicamentos ou de acompanhamento para uma doença que exige tratamento contínuo. Mas o serviço enfrenta problemas de estrutura e perda de profissionais, situação que preocupa trabalhadores e pode afetar diretamente os pacientes.

As dificuldades foram apresentadas nesta quinta-feira (15), durante a primeira reunião de uma comissão criada pela Câmara de Vereadores para avaliar as políticas municipais de enfrentamento ao HIV/AIDS e outras endemias.

O grupo será presidido por Jean Volpato (PT), com Egídio Beckhauser (Republicanos) na vice-presidência e Bruno Win (NOVO) como relator.

O que faz o CEDAP e por que o serviço é importante?

O CEDAP é uma unidade da rede municipal de saúde de Blumenau voltada à prevenção, ao diagnóstico e ao acompanhamento de pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV e sífilis, além de outras doenças infecciosas.

O serviço oferece atendimento especializado, orientações sobre prevenção e acompanhamento de pacientes que precisam de tratamento contínuo. Também atua na realização de testes, na distribuição de preservativos e em ações educativas para a população.

Nesse tipo de atendimento, a confiança entre paciente e profissional faz diferença. A troca frequente de servidores pode prejudicar esse vínculo, dificultar o acompanhamento e comprometer a continuidade do tratamento.

Já os problemas na estrutura física podem afetar a acessibilidade, a privacidade e o acolhimento de quem procura a unidade.

Falta de espaço e saída de profissionais preocupam

Durante a reunião, representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Blumenau (Sintraseb), do Conselho Municipal de Saúde e profissionais do CEDAP relataram salas inadequadas, falta de acessibilidade, estacionamento insuficiente e problemas na conservação do prédio.

Essas condições podem dificultar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida, comprometer a privacidade durante consultas e prejudicar o acolhimento de pacientes que procuram atendimento para questões sensíveis de saúde.

Outro problema é a rotatividade de servidores, especialmente enfermeiros. Segundo os representantes, a diferença de remuneração em relação à atenção básica tem levado profissionais a deixar o CEDAP.

Na prática, a saída de trabalhadores experientes pode obrigar pacientes a reconstruir o vínculo de confiança com novos profissionais e dificultar a continuidade do acompanhamento.

O sindicato informou que tentou negociar melhorias financeiras com a Prefeitura, mas não houve avanços neste ano.

O coordenador da Vigilância Epidemiológica, Leonardo Galindo, explicou que a diferença de remuneração está nas gratificações, e não nos salários-base. Eventuais mudanças dependem de estudos, participação da Secretaria da Fazenda e aprovação da Câmara.

Galindo também reconheceu os problemas de umidade e deterioração do prédio. Segundo ele, a Prefeitura procura um novo imóvel que comporte os mais de 60 funcionários, os consultórios especializados e garanta acessibilidade e privacidade aos usuários.

Prevenção nos bairros também pode ser prejudicada

Os profissionais alertaram ainda para a redução das atividades de prevenção e educação em saúde realizadas fora do CEDAP. Atualmente, são promovidas cerca de 60 ações por mês, mas as equipes afirmam que poderiam ampliar esse trabalho com mais insumos e melhores condições de deslocamento.

Quando essas atividades são limitadas, a população pode perder oportunidades de receber orientações, conhecer métodos de prevenção e buscar o diagnóstico precoce de infecções.

Comissão quer respostas da Prefeitura

Autor da proposta que criou a comissão, Jean Volpato afirmou que o objetivo é avaliar as condições do CEDAP, ouvir profissionais e identificar melhorias necessárias no atendimento. Os demais vereadores também defenderam a busca de soluções para os problemas apresentados.

A comissão, instituída pelo Projeto de Resolução 654/2025, deverá convidar o secretário municipal de Saúde, Marcelo Lanzarin, para uma reunião no dia 22, às 10h, na Câmara. Os parlamentares pretendem encaminhar perguntas sobre as reclamações e as providências previstas.

Também está prevista uma visita técnica ao CEDAP para verificar as condições do imóvel. O grupo terá 90 dias para concluir os trabalhos, mas Volpato sugeriu antecipar a entrega do relatório para 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a AIDS.

Mais do que resolver problemas de um prédio, o desafio é garantir que os moradores de Blumenau tenham acesso à prevenção, ao diagnóstico e a um tratamento contínuo, com a privacidade e o acolhimento que precisam.

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