Uma professora do Centro Educacional Municipal (CEM) Ariribá, em Balneário Camboriú, procurou o Página 3 para relatar preocupações com a segurança dos alunos durante as obras na unidade. A educadora, que preferiu não ser identificada, questiona a organização da circulação dos trabalhadores durante as aulas e a presença de materiais de obra em locais acessíveis às crianças.

Segundo ela, as melhorias são necessárias e bem-vindas, mas a execução dos serviços precisa considerar a rotina escolar e os deslocamentos dos estudantes pelos diferentes andares do prédio.

“A minha preocupação não é com a obra em si, mas com a forma como essa circulação de pessoas está acontecendo durante o período de aula”, afirmou.

Circulação e uso dos banheiros

A professora relatou que encontra trabalhadores em diferentes espaços ao acompanhar as turmas pela escola. Sua preocupação é principalmente com os momentos em que os alunos precisam sair da sala, como nas idas ao banheiro, já que não consegue acompanhar individualmente todos os deslocamentos.

Ela também afirmou ter presenciado trabalhadores utilizando os banheiros destinados aos alunos do primeiro e segundo anos. Conforme seu relato, a situação já foi comunicada à direção, mas continua acontecendo.

A educadora contou ainda que uma aluna pediu para ir ao banheiro e retornou à sala porque sentiu medo ao encontrar vários homens trabalhando no caminho. Segundo a professora, ela não sabia que os trabalhadores estavam naquele espaço naquele momento.

“Não estou fazendo uma acusação contra nenhum trabalhador especificamente. A questão é a circulação de pessoas externas ao ambiente escolar e a falta de segurança que essa situação acaba gerando para quem trabalha e para quem estuda ali”, ressaltou.

Materiais de obra

Outro ponto levantado foi a presença de materiais das obras espalhados pela escola, em alguns momentos, segundo ela, sem acompanhamento ou supervisão. A professora teme que alguma criança manuseie esses materiais e acabe se machucando.

Ela destacou que a unidade também atende crianças autistas e outros estudantes que precisam de maior supervisão, e pediu uma revisão da organização dos trabalhos durante o horário de aula.

“Eu tenho receio de que alguma coisa aconteça para que só depois sejam tomadas providências. Acho que não precisamos esperar acontecer alguma coisa para então perceber que a situação precisava ter sido revista”, disse.

O que diz a Secretaria de Educação

O Página 3 procurou a secretária de Educação de Balneário Camboriú, Zélia Zanella, que informou que os serviços são acompanhados por coordenadores da empresa responsável, entre eles uma mulher, e pelo diretor de manutenção da Secretaria de Educação.

“Nós temos coordenadores da empresa que acompanham todos os trabalhos executados. Tenho o diretor de manutenção da Secretaria de Educação que faz todo o acompanhamento dos trabalhos. Eu também estaria preocupada se fosse diferente”, afirmou.

Sobre os materiais, Zélia disse que pedirá mais cuidado às equipes. A secretária também considerou importante a manifestação da professora e avaliou que ela deve desconhecer a presença dos responsáveis pelo acompanhamento dos serviços.