Uma região marcada pela história de Blumenau está prestes a ganhar uma nova cara. Entre o campus da Universidade Regional de Blumenau (FURB) e o Rio Itajaí-Açu, casarões antigos, espaços de convivência e estruturas voltadas à tecnologia deverão dividir o mesmo endereço. A proposta é aproximar o passado industrial da cidade de um futuro cada vez mais ligado à inovação.

Esse é o conceito do Distrito de Inovação de Blumenau (DIB), apresentado pela Prefeitura nesta terça-feira (27/10/26). O projeto prevê a transformação de uma área de 1,7 quilômetro quadrado no bairro Itoupava Seca e já conta com R$ 60 milhões assegurados pelo Governo de Santa Catarina para a execução das obras.

Foto: Giovanni Silva

A iniciativa reúne poder público, universidade, entidades empresariais e profissionais de arquitetura. A expectativa é criar um ambiente capaz de atrair empresas, estimular novos negócios, gerar empregos qualificados e, ao mesmo tempo, abrir à população espaços que fazem parte da memória da cidade.

“Blumenau terá o segundo distrito de inovação do país. Isso vai transformar a cidade: vamos gerar empregos qualificados, atrair empresas e talentos e devolver à população uma área histórica, agora viva e aberta a todos. E fazemos isso juntos, Prefeitura, universidade, entidades e empresas, como tem que ser”, afirma Egidio Ferrari, prefeito de Blumenau.

 

Foto: Giovanni Silva

Praça, casarões restaurados e novo Centro de Inovação

O Distrito de Inovação foi pensado para ir além dos prédios empresariais. A proposta inclui espaços onde moradores, estudantes, pesquisadores e profissionais poderão circular e conviver.

Um dos destaques é a criação de uma praça pública, sem muros, planejada para receber pessoas durante todo o dia e também à noite. O espaço terá fonte, mesas ao ar livre e passagens sob os edifícios, funcionando como ponto de ligação entre a universidade, as empresas e a comunidade.

A preservação do patrimônio histórico também faz parte do planejamento. A Casa da Manteiga e a Casa Salinger deverão passar por restauração e receber novas atividades. Os imóveis ficam próximos à antiga Estação Ferroviária e ao antigo porto fluvial, locais ligados ao desenvolvimento de Blumenau.

Outra estrutura prevista é o CIB 2, novo Centro de Inovação da cidade. O edifício terá espaços modulares, auditório, parque vertical e arquibancada verde. A arquitetura permitirá futuras ampliações, acompanhando o crescimento das empresas instaladas no local.

O projeto ainda prevê uma segunda etapa, voltada à integração com o Rio Itajaí-Açu. Nessa fase, a região deverá receber um parque, uma passarela e uma nova orla, ampliando as áreas de lazer e circulação.

 

Foto: Giovanni Silva

Obras têm R$ 60 milhões garantidos, mas praça depende de novos recursos

Embora o projeto tenha sido apresentado oficialmente, as intervenções ainda não têm data para começar. Os seis escritórios de arquitetura responsáveis pela proposta trabalham agora na conclusão dos detalhes técnicos. Segundo a Prefeitura, a previsão é abrir a licitação das obras em 2027.

Os R$ 60 milhões destinados pelo Governo do Estado serão utilizados na execução do empreendimento. O valor, porém, não inclui a construção da praça pública.

A proposta desse espaço já foi entregue pelos arquitetos, mas a administração municipal ainda precisará buscar recursos adicionais para viabilizá-lo. Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walfredo Balistieri, o envolvimento estadual mostra que a iniciativa ultrapassa os limites de Blumenau.

“O investimento do Estado demonstra que o Distrito de Inovação é um projeto de Santa Catarina, e não apenas de Blumenau. Essa iniciativa tem potencial para transformar a nossa cidade. Foi concebida e planejada para ser um espaço vivo, dinâmico e integrado à vida das pessoas”, afirma Walfredo Balistieri, secretário de Desenvolvimento Econômico.

Foto: Giovanni Silva

Seis escritórios de arquitetura trabalharam juntos no projeto

Uma das particularidades do Distrito de Inovação está na maneira como ele foi desenvolvido. Em vez de concentrar a elaboração em uma única empresa, seis escritórios de arquitetura de Blumenau se uniram para construir uma proposta conjunta.

Participaram Alencar Arquitetura, Esquadro Projetos, MANNZ Arquitetos Associados, Osvaldo Segundo Arquitetos Associados, Stein Arquitetura e VOO® Arquitetura e Engenharia. O trabalho também contou com representantes da universidade e de entidades da cidade. Dessa colaboração surgiu o lema escolhido para o distrito: “Construído junto”.

A participação empresarial não ficou restrita às discussões sobre arquitetura e urbanismo. Entidades como ACIB, Blusoft, CDL, OAB, Gene, Somar, AMPE, Simmmeb, Sintex e Sinduscon mobilizaram empresas locais para financiar a elaboração do projeto.

 

Foto: Giovanni Silva

A presidente da Associação Empresarial de Blumenau (ACIB), Christiane Burger, considera que a participação do setor privado representa uma aposta no desenvolvimento econômico da cidade. “Como classe empresarial de Blumenau, entendemos que investir no distrito é investir no próprio futuro e no da cidade. Esse projeto é a prova de que, quando o ecossistema se une, Blumenau sai do discurso e parte para a ação”, completa Christiane Burger, presidente da ACIB.

Blumenau já reúne mais de 150 startups e 10 mil empregos em tecnologia

A criação do distrito ocorre em uma cidade que já tem presença expressiva no mercado de tecnologia. Blumenau ocupa a quinta posição nacional em densidade de empresas do setor. São mais de 150 startups e mais de 10 mil empregos diretos ligados à atividade.

Outro número mostra o peso do município nesse mercado: 12% das empresas de tecnologia de Santa Catarina estão concentradas em Blumenau. Apesar desse cenário, representantes do setor apontam a necessidade de um espaço capaz de aproximar ainda mais universidades, centros de pesquisa, startups e empresas consolidadas.

O presidente da Blusoft, Cesar Griebeler, acredita que o novo distrito poderá ajudar a manter na cidade profissionais qualificados e estimular o crescimento dos negócios.

“Blumenau tem um dos ecossistemas de tecnologia mais fortes do país, e faltava um lugar à altura dele. O Distrito de Inovação vai aproximar startups, empresas consolidadas, universidade e pesquisa, e reter aqui os talentos que hoje formamos para o mundo. Foi por isso que as empresas abraçaram o projeto desde o primeiro momento”, afirma Cesar Griebeler, presidente da Blusoft.

Do passado industrial ao futuro tecnológico

A escolha da Itoupava Seca também carrega um significado histórico.

Ao longo de seus 176 anos, Blumenau construiu uma trajetória ligada à indústria e ao empreendedorismo. Foi nesse ambiente que surgiram empresas como Cia. Hering, Karsten, Altona, Teka e Cremer, que ajudaram a consolidar a força econômica do município.

Agora, a intenção é aproveitar essa herança para impulsionar uma nova fase, marcada pela tecnologia, pela pesquisa e pela criação de negócios.

A proposta é que o Distrito de Inovação não funcione como um espaço isolado, frequentado apenas por quem trabalha no setor. A integração com a universidade, os prédios históricos, as áreas públicas e a futura ligação com o rio busca aproximar o empreendimento da rotina dos moradores.

Antes disso, ainda será necessário concluir os projetos técnicos, realizar a licitação e garantir os recursos que faltam para algumas estruturas. O desafio será transformar o planejamento em obras e fazer com que os investimentos anunciados tragam resultados para a economia e para a população.

Em uma cidade que cresceu ao redor de suas fábricas, o próximo capítulo da história industrial poderá ser escrito entre casarões restaurados, startups e espaços abertos à comunidade.

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