Apesar de estarmos acostumados a falar muito da tal polarização entre esquerda e direita, sempre entendemos que a análise não era bem esta quando pensamos em Santa Catarina. Aqui, como no país, a disputa ideológica sempre foi entre PT e PL, mas a da vida real, nas urnas, era entre o 22 e os partidos que orbitam no mesmo campo político.
Foi assim novamente nesta eleição, com a grande votação do PL no estado. Mas o PT e os partidos do campo progressista não foram os maiores derrotados, pelo contrário. O Partido dos Trabalhadores aumentou a bancada federal e a bancada na Assembleia Legislativa, sendo a segunda maior nas duas casas, atrás justamente do 22.
Quem ficou para trás foram os partidos que sempre se apresentaram como direita ou, no máximo, centro. PP, PSD, União e MDB foram engolidos pela onda bolsonarista. O exemplo mais claro é João Rodrigues, candidato ao governo pelo PSD, ficar em terceiro lugar na disputa, perdendo para Gelson Merisio, homem de direita convertido ao pragmatismo político de esquerda, que liderou a chapa do “time do Lula” em Santa Catarina.
João Rodrigues, que se orgulhava de ser “bolsonarista” e “direita raiz”, foi engolido pela bolha que sempre alimentou. Junto com ele, Esperidião Amin (PP), que também tinha como cartão de apresentação ser amigo de Jair Bolsonaro, ficou de fora do Senado para dar espaço ao filho do Jair, Carlos, que veio do Rio de Janeiro para tomar a vaga dele.
Vale para o MDB, que durante boa parte do tempo tentava colocar um pé em cada canoa, mas em Santa Catarina buscava colar no bolsonarismo. Diminui eleição após eleição em Santa Catarina.
Raimundo Colombo (PSD), Gean Loureiro (União), Carlos Moisés (Republicanos), Fábio Schiochet (União), Ângela Amin (PP) e inclusive a ala mais centrada do PL e seus puxadinhos, Jorge Goetten (Republicanos), Ismael dos Santos (PSD) e João Paulo Kleinübing (PL) foram alguns políticos conservadores que ficaram a ver navios. E terão dificuldades para embarcar na política novamente.
Hoje os tempos da direita são de Júlia Zanatta e seu chicote, Ana Campagnolo, Carlos Bolsonaro, Jair Renan, Zé Trovão e afins. O eleitor escolheu isso, no lugar do que durante muito tempo se convencionou a chamar de direita democrática.
