A bolsa de valores pode não fabricar máquinas e nem colher maçãs. Mas dá sinais. E, numa economia movida por expectativas, sinais importam. Na manhã desta sexta-feira (9), o Ibovespa avançou 1,4%, alcançando 209.113 pontos, em meio a pesquisas eleitorais que colocaram Flávio Bolsonaro à frente de Lula em simulações de segundo turno. O mercado parece enxergar, nessa possibilidade política, uma perspectiva de maior controle das contas públicas.

Não é preciso transformar cotação em profecia para reconhecer o significado desse movimento. O investidor observa o futuro, calcula riscos e decide onde colocar o dinheiro. Quando acredita que haverá mais responsabilidade fiscal, previsibilidade e segurança para empreender, tende a demonstrar maior disposição para investir. E investimento significa capacidade produtiva, expansão e empregos — desde que a expectativa se converta em decisões concretas.

A confiança chega à economia real

Jaraguá do Sul e o Vale do Itapocu conhecem bem essa lógica. Somos uma região de forte vocação industrial, com empresas que vendem para o Brasil e para o exterior, uma cadeia de fornecedores que sustenta milhares de empregos e uma economia que também depende da força do agronegócio catarinense, com destaque para a produção de aves, suínos e leite. Aqui, a confiança não é um conceito distante dos gráficos da bolsa. Ela pode influenciar decisões sobre ampliar uma fábrica, comprar equipamentos, contratar trabalhadores ou adiar investimentos.

Há, porém, um dado que impede qualquer comemoração precipitada: o IPCA subiu 0,82% em setembro e chegou a 4,58% no acumulado de 12 meses, acima do teto da meta de inflação. O custo de vida continua pressionando famílias e empresas. Não basta a bolsa subir; é preciso que a economia real acompanhe, com crédito viável, preços sob controle e condições para produzir.

Ainda assim, ânimo econômico faz falta. O Brasil precisa de confiança para transformar poupança em investimento e trabalho em prosperidade. A região que vive da indústria, do comércio e do campo sabe que ninguém cresce com incerteza permanente. O mercado pode estar apenas reagindo a uma pesquisa, mas a mensagem é maior: responsabilidade fiscal e previsibilidade importam. E, quando a economia volta a acreditar no amanhã, quem produz ganha motivos para seguir em frente.

Setor produtivo comemora reforço na segurança

O setor produtivo de Jaraguá do Sul comemorou a chegada de reforços ao policiamento regional com a formatura da primeira turma de policiais temporários da PMSC. Dos 29 novos soldados destinados à 12ª Região de Polícia Militar, 21 atuarão em Jaraguá, quatro em Guaramirim e quatro em São Bento do Sul. Representantes da Acijs e da CDL prestigiaram a solenidade, destacando uma demanda histórica das entidades empresariais: ampliar o efetivo e fortalecer a segurança pública. A expectativa é de que novas turmas ampliem o contingente nos próximos anos.

Joinville comemora avanço na representatividade

Ao contrário de Jaraguá do Sul, que perdeu representantes eleitos em número, Joinville ampliou sua bancada federal nas eleições de 2026, passando de um para dois deputados. O movimento Cada Voto Conta também destaca a queda da abstenção, de 24,7% em 2024 para 17,9%, e o aumento de 101 mil para 175 mil votos destinados a candidatos locais eleitos. A meta de conquistar seis cadeiras estaduais e quatro federais não foi alcançada, mas as entidades empresariais joinvilenses apontam avanços na mobilização. O desafio agora é manter a participação e transformar o peso eleitoral em representação política.

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