A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou seu relatório anual de 2026, apontando líderes políticos, grupos armados, empresas e bilionários que, segundo a entidade, exercem pressão ou ameaçam o jornalismo independente globalmente.

Nesta edição, destacam-se as entradas dos presidentes Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina).

A RSF afirma que o segundo mandato de Trump, iniciado em janeiro de 2025, foi marcado por ataques à imprensa que foram além da retórica, incluindo restrições físicas a profissionais. Sob sua administração, os EUA teriam caído para a 64ª posição no ranking de liberdade de imprensa da entidade.

Já o presidente argentino é mencionado devido a uma escalada de hostilidades contra veículos e jornalistas críticos ao seu governo, frequentemente acusados por ele de corrupção e manipulação.

A lista mantém chefes de Estado acusados de usar a máquina pública para reprimir a comunicação, como Vladimir Putin (Rússia), Daniel Ortega e Rosa Murillo (Nicarágua) e Alexander Lukashenko (Belarus). No Oriente Médio, o príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman e o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi seguem citados, este último associado à prisão de jornalistas e fechamento de portais.

Além de governos, a RSF aponta as Forças Armadas de Israel, o Partido Comunista Chinês e cartéis mexicanos como agentes diretos de violência. O relatório indica que o crime organizado no México esteve ligado à morte de quase um jornalista por mês no início de 2026.

A entidade também avalia o impacto do poder econômico sobre a sustentabilidade e independência da mídia.

Alphabet (Google) e Meta (Facebook/Instagram/WhatsApp) são citadas por exercerem enorme pressão econômica sobre o ambiente informacional.

Elon Musk (dono do X) permanece na lista, acusado de fomentar a desinformação e hostilidade contra repórteres. O empresário francês Vincent Bolloré e o bilionário georgiano Bidzina Ivanichvili também foram incluídos por práticas que, segundo a RSF, submetem as decisões editoriais de seus veículos a interesses políticos e financeiros.

O relatório retirou personalidades que não ocupam mais as posições de poder em que baseavam suas ações contra a imprensa. Segundo o contexto apresentado no levantamento, deixaram a lista Ali Khamenei (Irã), morto durante bombardeios de Israel e dos EUA em fevereiro de 2026; Nicolás Maduro (Venezuela), afastado do poder e transferido para uma prisão em Nova York após uma operação militar norte-americana, Viktor Orbán (Hungria) e Aleksandar Vučić (Sérvia) que perderam os cargos em eleições.