A presença de pessoas em situação de rua exige respostas firmes e contínuas. Viver sob pontes ou em estruturas abandonadas expõe pessoas a riscos e revela um problema social que o poder público não pode deixar se agravar. Também exige atenção aos impactos sobre a convivência e o uso dos espaços públicos. A omissão não protege ninguém.

Nesse contexto, a programação de abordagens em Jaraguá do Sul é necessária. A integração entre Assistência Social e forças de segurança permite identificar vulnerabilidades e verificar situações que demandem atuação policial. A condição de rua não caracteriza crime, mas tampouco pode servir de justificativa para ignorar eventuais delitos. Acolhimento e cumprimento da lei precisam caminhar juntos.

O trabalho, porém, deve produzir resultados além da abordagem. É preciso acompanhar encaminhamentos, avaliar reincidências e identificar por que determinadas pessoas permanecem sem atendimento efetivo. Oferecer ajuda exige estrutura, persistência e critérios claros para enfrentar situações complexas.

As famílias também precisam integrar essa discussão. Quando existem vínculos e condições seguras de aproximação, cabe buscar sua participação no cuidado e na reconstrução da autonomia. Parentesco não garante um ambiente adequado ao retorno, mas o poder público deve apurar cada história e cobrar as responsabilidades cabíveis. A rede pública não pode ser o único apoio enquanto familiares capazes de colaborar permanecem ausentes.

A responsabilidade também alcança outros municípios. Se houver encaminhamento de pessoas apenas para afastar o problema de seu território, sem articulação com a cidade de destino e sem continuidade do atendimento, a prática precisa ser apurada e enfrentada. Fornecer uma passagem não equivale a oferecer uma solução.

Jaraguá do Sul deve cobrar cooperação regional e acompanhar os resultados de suas ações. Nenhuma cidade resolverá sozinha um problema que atravessa fronteiras municipais. É necessário acolher com seriedade, agir diante de irregularidades e impedir que a transferência de pessoas substitua políticas públicas.

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