(FOLHAPRESS) – O presidente Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) em meio denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes.
A crise abalou o país. O anúncio de sua saída ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados analisava a abertura de um processo de impeachment. Até mesmo a base governista anunciou que votaria a favor da medida, abrindo caminho para que a acusação fosse aprovada por unanimidade.
Nesta semana, as denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank levaram à prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, protestos em frente às agências bancárias e o anúncio de fechamento do banco e do início do processo de recuperação judicial.
Os desdobramentos ocorreram no dia seguinte ao anúncio da renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, nomeado ao cargo por Peña, que foi investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025.
Peña foi acusado pela oposição por suposta responsabilidade no desvio de verbas públicas para o Ueno Bank.
O presidente conservador tomou posse em março de 2023, garantindo mais cinco anos de hegemonia ao Partido Colorado, que governa o país há quase 70 anos, desde a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). A exceção foi a gestão do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo (2008-2012), alvo de impeachment a meses de concluir o mandato em 2012.
O caso testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte dele do Brasil. De acordo com o Financial Times, embora a economia do país tenha crescido rapidamente e obtido grau de investimento nos últimos anos, críticos afirmam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e o mundo empresarial continuam a complicar as operações.
