O milho que está sendo plantado em Santa Catarina tem diversas aplicações, que vão desde a alimentação humana, de aves e suínos, e até na produção de etanol. Já o arroz tem um caminho mais direto até a mesa dos brasileiros. Por isso, acompanhar o andamento dessas lavouras ajuda a entender o cenário de produção e abastecimento de alimentos.
Em Santa Catarina, o plantio das duas culturas começou em ritmo avançado. Até 9 de outubro, os agricultores haviam semeado 79,9% da área prevista para o milho. No arroz, os trabalhos chegaram a 44% da superfície destinada ao cultivo até a primeira semana do mês.
Os dados fazem parte do 1º Levantamento da Safra de Grãos 2026/27, divulgado nesta quinta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O relatório aponta que o Brasil poderá colher 367,1 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 1,4% em relação à temporada anterior. Mas esse aumento não será igual para todos os produtos. Enquanto soja e milho devem avançar, arroz e trigo apresentam perspectivas de queda na produção.
Milho catarinense avança e ganha espaço na produção brasileira
O plantio de milho em Santa Catarina está entre os mais adiantados da região Sul. Com 79,9% da área semeada até 9 de outubro, o estado apresentava o maior percentual de avanço entre os três estados sulistas.
O andamento das lavouras chama atenção pela importância do cereal em diferentes atividades. Além da alimentação animal, o milho é utilizado pela indústria, que vem ampliando seu consumo para a fabricação de etanol.
No país, a Conab estima uma produção de 148 milhões de toneladas de milho em 2026/27, crescimento de 2,4% sobre a safra anterior.
A área destinada ao cereal deverá alcançar 23,7 milhões de hectares, considerando as três safras. Isso representa expansão de 4,9%. O maior avanço proporcional deve ocorrer na primeira safra, que poderá ocupar 4,54 milhões de hectares, aumento de 10,7%.
Os números mostram que o país está ampliando o espaço destinado ao milho. Ao mesmo tempo, o consumo interno deverá crescer, especialmente pela demanda da indústria de etanol.
A previsão da Conab é de um aumento de 6,6% na utilização doméstica do cereal durante o ciclo 2026/27.
Arroz tem plantio adiantado em SC, mas colheita nacional deve cair
Se o milho apresenta expectativa de expansão, o arroz segue um caminho diferente.
Em Santa Catarina, o plantio também avançou nas primeiras semanas da temporada. Até o início de outubro, 44% da área prevista havia sido semeada. No Rio Grande do Sul, o percentual era de 27%.
Apesar do ritmo de trabalho nas lavouras catarinenses, a produção brasileira de arroz deverá diminuir. A estimativa da Conab é de 10,8 milhões de toneladas em 2026/27, redução de 2,9% em comparação com a safra anterior.
A área cultivada deve alcançar 1,53 milhão de hectares. O levantamento aponta crescimento de 7,1% nas áreas de sequeiro, mas redução de 0,4% no cultivo irrigado, responsável pela maior parcela da produção nacional.
Para quem compra arroz no supermercado, os números merecem atenção principalmente pelo comportamento da oferta. Além da colheita menor, a Conab prevê redução nas exportações e nos estoques disponíveis ao final do ciclo.
As vendas externas devem recuar 17,4%, chegando a 1,66 milhão de toneladas. Já as importações estão estimadas em 1,3 milhão de toneladas, enquanto o consumo interno deve permanecer próximo de 10,8 milhões.
Os estoques de passagem deverão alcançar 1,4 milhão de toneladas em fevereiro de 2028, volume 22,7% inferior ao esperado para fevereiro de 2027.
Isso significa que o país deverá encerrar o período com uma reserva menor de arroz. O relatório, porém, não permite concluir que haverá aumento de preços ou falta do produto no mercado.
Brasil vai plantar mais, mas produção crescerá em ritmo menor
Os números de Santa Catarina fazem parte de uma temporada em que o Brasil deverá ampliar sua área agrícola. A Conab estima o cultivo de 85,4 milhões de hectares de grãos, crescimento de 2,3% em relação a 2025/26.
A produção total, entretanto, deverá avançar 1,4%, alcançando 367,1 milhões de toneladas. Essa diferença revela um aspecto importante do levantamento: a expansão da área plantada será proporcionalmente maior que o crescimento do volume colhido.
Em outras palavras, a expectativa é de mais grãos no total, mas com um rendimento médio por hectare ligeiramente inferior ao da temporada anterior. A maior parte dessa produção estará concentrada em duas culturas. Juntas, soja e milho deverão responder por aproximadamente 329,6 milhões de toneladas, quase 90% de todos os grãos previstos para o país.
É justamente por isso que uma safra nacional maior não significa, necessariamente, crescimento na produção de todos os alimentos.
Soja continua liderando a safra e deve ampliar exportações
A soja permanece como a principal cultura brasileira em volume produzido. Para 2026/27, a Conab projeta uma colheita de 181,6 milhões de toneladas, resultado 0,7% superior ao da temporada passada.
A área cultivada deverá chegar a 49,3 milhões de hectares, aumento de 1,4%. O plantio já havia alcançado 15,6% da área nacional prevista no início de outubro. Desse total, 57% das lavouras estavam em desenvolvimento vegetativo.
Entre os principais produtores, o Paraná registrava 36% da área semeada, enquanto Mato Grosso havia alcançado 25,2%. A produção de soja também tem relação com o abastecimento de diferentes setores industriais.
O levantamento aponta que a demanda interna deve continuar aquecida, impulsionada pela produção de biodiesel e pelo consumo de proteína vegetal.
No comércio exterior, as exportações brasileiras de soja em grãos deverão alcançar 117,97 milhões de toneladas, crescimento de 1,51% em relação à safra anterior. O avanço representa 1,76 milhão de toneladas adicionais.
Para o farelo de soja, a estimativa é de 27,1 milhões de toneladas exportadas, aumento de 3,06%.
Feijão deve manter produção estável
Outro alimento presente no cotidiano dos brasileiros, o feijão deverá apresentar pouca variação na produção nacional. A Conab estima uma colheita total de aproximadamente 2,9 milhões de toneladas, considerando as diferentes safras e variedades.
Na primeira safra, a área cultivada deverá crescer 1,9%, alcançando 808,2 mil hectares. O volume produzido, no entanto, poderá diminuir 1,1%, ficando em 963,1 mil toneladas.
O plantio já havia alcançado 18,1% da área nacional prevista. São Paulo concluiu a semeadura, enquanto o Paraná registrava 52% e o Rio Grande do Sul, 42%. Mesmo com a redução estimada para a primeira safra, o levantamento mantém a perspectiva de estabilidade na produção total do grão.
Trigo enfrenta uma das maiores reduções na colheita
O trigo, matéria-prima utilizada na fabricação de farinha e de diversos alimentos, apresenta um dos recuos mais expressivos entre as culturas acompanhadas. A produção brasileira em 2026 está estimada em 5,7 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 27,2% em relação à safra anterior.
Segundo a Conab, a redução está relacionada tanto à diminuição da área plantada quanto à menor produtividade esperada para o cereal. No período analisado, 40,3% da área cultivada já havia sido colhida.
A retração contrasta com o crescimento projetado para soja e milho e reforça as diferenças entre as culturas que compõem a produção brasileira de grãos.
Mais milho para etanol e estoques menores de arroz: o que acompanhar?
Além de mostrar o que está sendo plantado e quanto deverá ser colhido, o levantamento da Conab apresenta estimativas sobre o destino da produção brasileira.
No milho, a expansão do consumo para fabricação de etanol deverá contribuir para o crescimento de 6,6% na demanda interna. As exportações referentes ao ciclo 2025/26 estão estimadas em 43,9 milhões de toneladas, com estoques de passagem previstos em 16 milhões de toneladas para fevereiro de 2027.
Para 2026/27, a perspectiva é de manutenção das exportações em níveis elevados. Ao final do período, os estoques deverão ficar em 14,9 milhões de toneladas. No arroz, o cenário é de redução da produção nacional, das exportações e dos estoques finais.
Já a soja deverá ampliar os embarques internacionais, enquanto a demanda doméstica continua sustentada pelo biodiesel e pelo consumo de proteína vegetal.
Esses movimentos ajudam a entender por que não basta olhar apenas para o volume total produzido. Cada cultura tem seu próprio comportamento, com diferenças na área plantada, na demanda interna e no comércio exterior.
O levantamento também reúne informações sobre o vazio sanitário e as condições de desenvolvimento das lavouras. As projeções serão atualizadas ao longo da temporada, conforme o andamento do plantio e das colheitas.
Em Santa Catarina, os primeiros números mostram o milho e o arroz avançando no campo. No restante do Brasil, a expectativa é de uma safra maior, embora com resultados diferentes entre as culturas.
O país pode colher mais grãos em 2026/27. Mas, para quem produz e para quem consome, tão importante quanto o tamanho da safra é saber o que está crescendo, o que está diminuindo e quanto ficará disponível no mercado.
O post SC avança no plantio de milho e arroz enquanto safra nacional pode chegar a 367 milhões de toneladas apareceu primeiro em OBlumenauense | Notícias de Blumenau e do Vale do Itajaí.
