A Schützenfest chega à 36ª edição, em 2026, com uma história que ultrapassa três décadas de festa e tem raízes ainda mais antigas. Em Jaraguá do Sul, a tradição do tiro esportivo começou em 1906, com a criação da primeira sociedade de atiradores do município, e se consolidou como parte da identidade cultural da região.
A Sociedade de Atiradores Jaraguá foi a primeira de uma série de entidades criadas nas décadas seguintes. Além das competições esportivas, essas associações funcionavam como espaços de convivência comunitária, promovendo encontros, bailes e celebrações que preservavam os costumes dos imigrantes alemães.
Foto: Arquivo/Prefeitura de Jaraguá do Sul
Entre as principais tradições estavam as Festas de Rei e Rainha dos Atiradores, marcadas pela Marcha de Busca de Rei e Rainha, pelos trajes típicos, pela música e pela gastronomia. Com o passar do tempo, surgiu a proposta de reunir as sociedades em um único evento.
A ideia ganhou força em 1988, no bairro Rio da Luz, com a realização da Pré-Schützenfest. Em 18 de março de 1989, 25 sociedades fundaram a Associação dos Clubes e Sociedades de Tiro do Vale do Itapocu (ACSTVI), com o objetivo de fortalecer e difundir as tradições germânicas.
A primeira Schützenfest ocorreu entre 13 e 22 de outubro de 1989. A programação contou com competições de tiro nas modalidades carabina calibre .22, chumbinho e flecha, além de bandas típicas, gastronomia alemã, apresentações folclóricas e estandes abertos à comunidade.
Desde então, a festa ampliou sua estrutura e incorporou novas atrações, sem deixar de lado o tiro esportivo, que permanece como elemento central da celebração. Atualmente, 17 sociedades participam do evento e promovem as tradicionais festas de Rei e Rainha ao longo do ano.

Foto: Arquivo/Prefeitura de Jaraguá do Sul
Mudanças e curiosidades
A história da Schützenfest também é marcada por mudanças. Na primeira edição, apenas homens participavam das competições oficiais de tiro. Em 1990, as mulheres passaram a disputar as provas e também puderam conquistar os títulos de Rei e Rainha dos Atiradores.

Foto: Arquivo/Prefeitura de Jaraguá do Sul
A escolha das rainhas e princesas também mudou ao longo dos anos. Até 1992, as vencedoras eram definidas por meio da venda de votos. A primeira foi Sonéia Hornburg, da Sociedade Aliança. Entre 1993 e 1995, a seleção ocorreu por competições de tiro e, a partir de 1996, por concurso de beleza.
Outro símbolo da festa é o mascote Wilfried, criado em 1998 pelo cartunista Fernando César Bastos. Ele substituiu o antigo personagem Hans Bier e foi desenvolvido para representar mais diretamente o universo dos atiradores.

Foto: Arquivo/Prefeitura de Jaraguá do Sul
A música também deixou sua marca. Entre 1991 e 1997, a banda alemã Die Original Mottener participou da programação. Seu vocalista, Kalle Mager, escreveu a letra de “Wir gehn zum Schützenfest”, canção considerada o hino da festa.

Foto: Arquivo/Prefeitura de Jaraguá do Sul
Tradição que atravessa gerações
Os desfiles das sociedades, os trajes típicos, a música, a dança e a gastronomia seguem entre os elementos que caracterizam a Schützenfest. O Schützenbaum, mastro decorado com os brasões das sociedades, representa a união entre as entidades participantes.
A valorização do tiro esportivo também se reflete na estrutura da festa. Em 2023, foi inaugurado o estande de tiro olímpico Roland Leopoldo Germano Janssen, homenagem ao homem reconhecido como o “Pai do Tiro” em Jaraguá do Sul por sua contribuição ao desenvolvimento da modalidade no município.

Foto: Arquivo/Prefeitura de Jaraguá do Sul
Ao longo dos anos, eventos paralelos, como Schützenbaum, Schützenplatz, Tiro Imprensa, Sons & Sabores, Schützenbier e Schützentag in Rio da Luz, também passaram a integrar as iniciativas relacionadas à tradição.
Até hoje, a festa reúne diferentes gerações em torno do esporte e da cultura germânica, preservando costumes que fazem parte da trajetória do município.

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