A crise política no Paraguai ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (6). O Senado rejeitou o pedido do presidente Santiago Peña para adiar por 72 horas a apresentação de sua defesa no processo de impeachment. A decisão mantém o andamento do julgamento que pode resultar na destituição definitiva do chefe do Executivo.
A solicitação foi rejeitada por 39 votos a 3, com duas abstenções. Peña alegou que precisava de mais tempo para analisar as acusações e reunir documentos para sua defesa.
Segundo o presidente, a notificação oficial foi recebida às 22h15 de quinta-feira (5), acompanhada de uma acusação de 15 páginas e mais de 300 páginas de anexos. Como a sessão estava marcada para a manhã seguinte, ele argumentou que o prazo inferior a 12 horas comprometia seu direito de defesa.
Com a rejeição, o Senado determinou a continuidade do processo e convocou Peña para apresentar seus argumentos ainda nesta sexta-feira.
Renúncia não encerrou processo
A decisão ocorre um dia depois de Santiago Peña anunciar sua renúncia à Presidência, em meio à pressão provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição financeira que deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às contas.
Apesar do anúncio, a renúncia ainda não foi formalmente aceita pelo Congresso, e Peña permanece no cargo.
Parlamentares contrários à aceitação da renúncia defendem a continuidade do impeachment para evitar que o presidente obtenha prerrogativas associadas à condição de senador vitalício, o que poderia dificultar eventuais investigações.
O processo também provocou divisões no Partido Colorado, legenda de Peña, que perdeu apoio de importantes aliados políticos.
Crise bancária provocou investigações
O impeachment está relacionado ao colapso do Ueno Bank, que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai após a identificação de problemas de solvência.
Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025. A antiga ligação empresarial passou a ser questionada por parlamentares, que apontam suspeitas de conflito de interesses, interferência na fiscalização bancária e irregularidades envolvendo recursos previdenciários.
O Ministério Público paraguaio abriu investigações criminais sobre o caso, enquanto executivos ligados ao banco também são alvo das autoridades.
O presidente nega ter cometido irregularidades e afirma que os responsáveis por eventuais crimes devem responder perante a Justiça.
O que acontece agora?
Com o pedido de adiamento rejeitado, o Senado deve prosseguir com a apresentação da defesa e a análise das acusações.
Para que Santiago Peña seja destituído definitivamente, são necessários pelo menos 30 votos entre os 45 senadores paraguaios.
Caso o impeachment seja aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência do Paraguai.
A crise também é acompanhada pelo Brasil, diante dos possíveis impactos econômicos e políticos no país vizinho, especialmente nas relações comerciais e na cooperação de segurança na região de fronteira.
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