Em 2025, os subsídios federais às fontes de energia somaram R$ 77,16 bilhões no Brasil. Desse total, R$ 54,12 bilhões foram destinados aos combustíveis fósseis e R$ 23,04 bilhões às fontes renováveis. Para cada R$ 1 direcionado às renováveis, foram R$ 2,35 para os fósseis.

Os dados são da nona edição do monitoramento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), que analisou 27 subsídios à produção e ao consumo de energia. Subsídio não significa necessariamente uma transferência direta de dinheiro para uma empresa: pode ser uma renúncia fiscal, um gasto do orçamento público ou um custo incluído na tarifa de energia.

Os valores mudaram de forma diferente

O total de subsídios aumentou 4,44% em relação a 2024. Mas os incentivos aos fósseis caíram 1,27%, enquanto os destinados às renováveis cresceram 20,89%. Como o estudo usa valores correntes, sem correção pela inflação, essas variações são nominais.

Também é importante separar os incentivos à produção daqueles destinados ao consumo. Dos subsídios aos fósseis, R$ 41,03 bilhões foram para a produção, uma queda de 2,56%. Outros R$ 13,10 bilhões apoiaram o consumo, alta de 2,99%.

Entre as renováveis, R$ 22,51 bilhões foram ligados à produção, que cresceu 18,11%. Os incentivos ao consumo chegaram a R$ 528,45 milhões em 2025. Essa divisão mostra que o apoio se concentra principalmente na produção de energia, tanto no caso dos fósseis quanto no das renováveis.

Como os subsídios aos fósseis são pagos

Mais da metade dos incentivos aos combustíveis fósseis veio de renúncias fiscais: R$ 27,38 bilhões, ou 50,56% do total. Isso significa que o governo deixou de arrecadar esse valor por meio de determinados benefícios tributários. Outros R$ 23,11 bilhões foram financiados pela tarifa de energia elétrica, e R$ 3,67 bilhões vieram de gastos diretos do orçamento público.

Um exemplo de subsídio ligado à conta de luz é a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que somou R$ 14,11 bilhões, alta de 26,62% em um ano. O mecanismo financia a geração de eletricidade nos sistemas isolados, que dependem de fontes fósseis. Foi o maior subsídio individual a combustíveis fósseis entre os instrumentos analisados.

As bandeiras tarifárias chegaram a R$ 7,78 bilhões, aumento de 103,72%. O relatório associa a alta à escassez hídrica e à maior necessidade de acionar usinas termelétricas.

Já as renúncias fiscais ligadas ao Repetro, regime especial dos setores de petróleo e gás, somaram R$ 9,25 bilhões. O valor caiu 46,35% em relação a 2024, mesmo em um ano de produção recorde de petróleo no Brasil.

Renováveis também têm custos divididos

Os subsídios às fontes renováveis chegaram a R$ 23,04 bilhões. A geração distribuída concentrou R$ 14,71 bilhões — 63,9% do total destinado a esse grupo — e cresceu 26,95% em relação ao ano anterior. O Inesc observa que parte dos custos desse modelo é transferida aos demais consumidores de energia elétrica.

O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) recebeu R$ 6,16 bilhões, alta de 22,82%. A tarifa de energia financiou R$ 22,05 bilhões dos subsídios às renováveis, o equivalente a 95,52% do total. As renúncias fiscais somaram R$ 1,01 bilhão.

Assim, a conta de luz financia mecanismos relacionados tanto às fontes fósseis quanto às renováveis. Os valores do estudo mostram quanto foi destinado a cada grupo, mas não informam quanto cada família pagou individualmente nem permitem, por si só, avaliar se cada subsídio trouxe resultados proporcionais ao custo.

O que o Inesc propõe

O instituto defende que uma reforma dos subsídios tenha objetivos, prazos, participação social e proteção às famílias mais vulneráveis. A preocupação é evitar que a retirada de um incentivo transfira custos adicionais para quem já tem dificuldade para pagar a energia.

Entre as recomendações do Inesc estão:

  • A adesão do Brasil à Coalizão para a Eliminação Gradual dos Incentivos aos Combustíveis Fósseis, incluindo subsídios, com medidas de transparência e reforma.
  • A elaboração, com participação social, de um plano para rever gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis.
  • A avaliação, pelo Ministério de Minas e Energia e pela Aneel, de mudanças na Conta de Desenvolvimento Energético para rever incentivos considerados ineficientes.
  • A inclusão dos custos das bandeiras tarifárias no Ambiente de Contratação Livre, ampliando o grupo de consumidores que contribui para financiá-los.
  • A separação, no Subsidiômetro, dos subsídios aos combustíveis fósseis daqueles destinados às fontes renováveis. A recomendação é dirigida à Aneel.

O levantamento ajuda a enxergar uma parte da economia da energia que costuma ficar espalhada entre impostos, orçamento e tarifa. Ao mostrar quanto cada fonte recebeu e de onde vieram os recursos, os dados dão elementos para acompanhar as escolhas do setor e discutir quem se beneficia delas e quem paga a conta.

O post Subsídios à energia chegaram a R$ 77 bilhões no Brasil; fósseis receberam 70% apareceu primeiro em OBlumenauense | Notícias de Blumenau e do Vale do Itajaí.