Quando se fala em Surrealismo logo se associa a imagem do relógio derretendo, na icônica obra, “A persistência da memória” ou do telefone lagosta de Salvador Dali, ainda presentes no imaginário popular e que continua a influenciar a arte, a música, o cinema, com toques surrealistas.
A palavra, surrealismo, está no sentido de além do realismo, além do admissível. Surreal como a aranha gigante, denominada “Maman”, de Louise Bourgeois, uma “ode à sua mãe”, exposta na Tate Gallery, em Londres, até o ano passado, 2025. Atualmente a palavra surreal faz parte do léxico do dia a dia, adjetivo usado até pelas crianças para designar o estranho, o misterioso ou esquisito.
O poeta André Breton, foi quem lançou o Manifesto Surrealista, em Paris, 1924. Desiludido com o dadaísmo, procurava nova forma de expressão pesquisando os conceitos psicanalistas sobre o inconsciente revelado nos sonhos e na escrita automática. O Dadaísmo, o Marxismo, o Realismo Mágico, a Arte Metafísica e os escritos de Freud sobre os sonhos, foram a base para o Surrealismo.
O movimento busca um lugar onde sonho e realidade se fundam em imagens ilógicas: na crítica à supremacia da razão, na espontaneidade, e no vocabulário psicanalítico. Explora o potencial criativo do inconsciente. Usa de elementos perturbadores e assustadores. Busca de uma transformação social através da arte – o automatismo psíquico puro.
Artistas como Joan Miró, com a tela, O Carnaval de Arlequim, chamado o mais surrealista de todos e o seu vizinho de ateliê em Montmartre, Max Ernst, alemão que posteriormente também imigrou para os EUA, emergente surrealista e devoto de Freud, usavam imagens automáticas. Leonora Carrington e Méret Oppenheim com a impactante xicara, pires e colher, revestidos de peles usavam referências simbólicas de ordem sexual.
Salvador Dali buscava acessar uma paranoia crítica através de transe. Usava de realistas “fotografias de sonhos pintadas a mão”, para provocarem ansiedade no espectador, para falar da inexorabilidade do tempo. Queria desacreditar o mundo da realidade. Lutou a vida toda contra suas paranoias e esquizofrenias. Foi concebido para substituir o irmão morto e foi criado como se fosse a sua reencarnação de quem recebeu até o mesmo nome, para aplacar a dor dos pais. Daí sua paranoia, ou psicose, segundo a psicanálise.
No Brasil, o surrealismo emergiu com Ismael Nery, Tarsila do Amaral e seu Abaporu; Cicero Dias, com a escultora Maria Martins, e o escritor Mário Pedrosa. Mesmo modernistas, aderiram essa forma de expressão para criticar a excessiva valorização da razão e da lógica com o uso de símbolos e imagens representativos do inconsciente.
