Mais de 6,5 mil perus foram enterrados em uma vala preparada especialmente para o descarte sanitário em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A operação terminou na quarta-feira (21/10/26) e faz parte das medidas para conter um foco da doença de Newcastle, enfermidade altamente contagiosa que ameaça a criação de aves.
Ao todo, foram enterradas as carcaças de 6.526 aves, além de insumos da granja. A estrutura utilizada seguiu normas técnicas e recebeu aprovação das autoridades ambientais.
Com o despovoamento concluído, a propriedade entrou na etapa de limpeza e desinfecção. Nesta quinta-feira (22), três médicos-veterinários da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) acompanham o procedimento.
A higienização envolve diferentes fases e a aplicação de produtos específicos. O objetivo é eliminar possíveis fontes de contaminação e permitir que a granja volte a funcionar futuramente, depois do período obrigatório de vazio sanitário.
Equipes vão monitorar 1.680 propriedades rurais
A preocupação agora está nas propriedades vizinhas. A Cidasc e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instalaram um Centro de Operações de Emergência em Saúde Animal (Coezoo) no Oeste catarinense para coordenar a resposta ao surto.
Desde terça-feira (20), 15 equipes, cada uma com pelo menos um médico-veterinário, percorrem comunidades rurais para identificar possíveis sinais da doença.
Em dois dias, os profissionais visitaram 46 propriedades com aves de subsistência. Também vistoriaram criações comerciais e coletaram amostras para exames laboratoriais.
Entre os estabelecimentos fiscalizados estão:
- 20 unidades comerciais de aves de corte;
- Duas propriedades de recria de galinhas;
- Um matrizeiro de corte;
- Um incubatório;
- Quatro propriedades com criação de perus;
- Outras oito propriedades rurais.
O planejamento da vigilância sanitária prevê a fiscalização de 1.680 propriedades rurais no entorno do foco da doença.
Desse total, 166 propriedades estão em um raio de até 3 quilômetros da granja atingida. Outras 1.514 ficam na área de monitoramento de até 10 quilômetros, conforme os registros georreferenciados da Cidasc.
O trabalho reúne ainda o Ministério do Desenvolvimento Regional, o Ministério da Defesa, a Defesa Civil de Santa Catarina, a Polícia Civil, o Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa) e representantes do setor produtivo.
Quatro municípios estão em emergência zoossanitária
O foco foi confirmado no domingo (18), após investigação do serviço veterinário oficial catarinense e exames realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.
A granja foi interditada, com suspensão da movimentação de aves e adoção imediata de medidas para controlar e erradicar a doença.
O Ministério da Agricultura também declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios catarinenses: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
A ocorrência foi comunicada à Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa) e a parceiros comerciais bilaterais, acompanhada de informações técnicas sobre o foco e as providências adotadas.
Quais são os sintomas da doença de Newcastle?
A Cidasc intensificou as orientações aos produtores e moradores da região. A recomendação é observar qualquer alteração no comportamento ou na saúde das aves e comunicar rapidamente os casos suspeitos.
Entre os principais sinais da doença estão:
- Crista e barbela inchadas e arroxeadas;
- Coriza e secreção nos olhos;
- Diarreia;
- Torcicolo;
- Falta de apetite;
- Redução do consumo de água e ração;
- Queda na produção de ovos.
As suspeitas devem ser informadas ao escritório local da Cidasc ou registradas pelo sistema oficial e-Sisbravet.
Carne de frango e ovos continuam seguros para consumo
Apesar da preocupação com o surto, o governo catarinense esclarece que o risco da doença de Newcastle para seres humanos é baixo. Pessoas que tenham contato direto com aves contaminadas podem desenvolver conjuntivite. A doença, porém, não é transmitida pelo consumo de alimentos.
Por isso, carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos registrados em serviços de inspeção sanitária continuam seguros para consumo. Enquanto a granja atingida passa pela desinfecção, a vigilância segue nas comunidades rurais.
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