Um satélite passa centenas de quilômetros acima de Santa Catarina. Os dados que vêm do espaço podem ajudar a acompanhar lavouras, mudanças ambientais e áreas atingidas por desastres. Mas, para transformar tecnologia em solução aqui embaixo, é preciso conectar pesquisadores, empresas, infraestrutura e investimento.

É essa rede que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pretende colocar no mapa com o Observatório da Economia Espacial Catarinense (OESC). Coordenado pelo professor Eduardo Augusto Bezerra, do Laboratório de Pesquisa em Sistemas Espaciais (SpaceLab/UFSC), o projeto receberá R$ 4.995.313,60 da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

A execução será de 26 meses e a equipe já começou a ser formada. O SpaceLab abriu 41 bolsas para estudantes e profissionais, com valores mensais entre R$ 984,82 e R$ 5,2 mil. As inscrições seguem até as 23h59 de 30 de setembro de 2026.

Um raio-X do setor espacial

Apesar do nome, o observatório não será um lugar para ficar olhando estrelas. A proposta é descobrir quem trabalha com a economia espacial em Santa Catarina, quais tecnologias existem e onde estão empresas, startups, laboratórios, pesquisadores, projetos e infraestrutura.

O estado já reúne conhecimento em áreas como sistemas espaciais, telecomunicações, inteligência artificial, ciência de dados, microeletrônica, automação, manufatura avançada, energia e oceanografia. Segundo a proposta, porém, essas capacidades ainda estão dispersas.

Imagine uma empresa catarinense capaz de produzir uma tecnologia útil para um sistema espacial, mas distante do laboratório ou projeto que precisa dela. O OESC pretende justamente diminuir esse espaço entre quem desenvolve, quem pesquisa e quem pode usar.

O levantamento dará origem ao Censo Estadual do Setor Espacial e ao Atlas da Economia Espacial Catarinense, uma plataforma pública com dados e indicadores. Também estão previstos um plano estratégico de curto, médio e longo prazo e uma carteira de projetos prioritários para estimular inovação e atrair investimentos.

Do satélite à vida aqui embaixo

O observatório vai analisar tanto o upstream — que inclui satélites, componentes, materiais e sistemas de lançamento — quanto o downstream, formado por aplicações, serviços e negócios que usam dados e tecnologias espaciais.

Traduzindo: construir uma tecnologia para um satélite está de um lado. Usar informações espaciais para desenvolver uma aplicação para a agricultura, por exemplo, está do outro.

E é aí que o espaço fica bem mais perto do cotidiano. O projeto investigará aplicações em agricultura de precisão, monitoramento ambiental e de desastres naturais, defesa civil, recursos hídricos, logística, telecomunicações, inclusão digital e economia do mar.

Também serão produzidos estudos, relatórios de inteligência econômica e tecnológica e provas de conceito.

Bolsas chegam a R$ 5,2 mil

Das 41 oportunidades abertas, 20 são bolsas de Iniciação Científica, de R$ 984,82 mensais. Há ainda dez bolsas DTI-B, de R$ 3,9 mil, e 11 DTI-A, de R$ 5,2 mil. As vagas envolvem tecnologia, dados, sistemas espaciais, geotecnologias, gestão, inovação e divulgação científica.

As bolsas terão duração inicial de até 12 meses, dedicação de 30 horas semanais e exigem residência em Santa Catarina durante o período. Os requisitos de cada vaga e as orientações para inscrição estão no edital publicado na página do Observatório.

O projeto foi selecionado no Edital de Chamada Pública Fapesc nº 27/2026, cujo resultado final de mérito saiu em 3 de setembro. A chamada previa até R$ 5 milhões para uma única iniciativa voltada a fortalecer a chamada nova economia espacial, ou New Space, em Santa Catarina.

Uma rede que começa grande

O OESC funcionará junto à Estação Terrena de Satélites e ao Hub de Inovação do SpaceLab. Também será criada a Rede Catarinense da Economia Espacial para aproximar universidades, governo, empresas e outras organizações.

A elaboração do projeto reuniu integrantes ligados à UFSC, Univali, Udesc, IFSC, UnB, Unifa, Universidade de Montpellier, Centro Universitário SATC, MDIC, Anatel, Webphy Tecnologia e Instituto STAR T, além de parceiros do Brasil e do exterior.

A iniciativa se apoia em mais de três décadas de atuação da UFSC no setor espacial, trajetória que inclui o curso de Engenharia Aeroespacial, pesquisa, pós-graduação e missões como FloripaSat-1, FloripaSat-2A, FloripaSat-2B, GOLDS-UFSC e Constelação Catarina.

O projeto também está alinhado ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), ao Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

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